sexta-feira, 26 de setembro de 2008

PRESERVAÇÃO E TRADUÇOES

A preservação e a tradução da Bíblia

Este capítulo abrange os seguintes pontos: línguas ori­ginais da Bíblia; os manuscritos mais importantes; as pri­meiras e principais versões e traduções; certas particulari­dades do texto bíblico. Em todos esses fatos podemos ver a mão poderosa de Deus agindo para que este Livro chegasse às nossas mãos, para nossa felicidade eterna.

I. AS LÍNGUAS ORIGINAIS DA BÍBLIA

O hebraico e o aramaico para o Antigo Testamento, e o grego para o Novo Testamento, são as línguas originais da Bíblia.

a. O hebraico. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, o idioma oficial da nação israelita, exceto algu­mas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram es­critas em aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28.
O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia (mediterrânea), exceto em bem poucas re­giões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do grupo cananeu. Este compreendia o litoral oriental do Mediterrâneo, in­cluindo a Síria, a Palestina e o território que constitui hoje
a Jordânia. Integrava também o grupo cananeu de línguas, o ugarítico, o fenício e o moabítico. O fenício tem muita se­melhança com o hebraico. 0 primitivo alfabeto hebraico é oriundo do fenício, segundo a opinião dos versados na ma­téria. Tudo leva a crer que Abraão encontrou este idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado de Canaã, falava o hebraico.
A língua hebraica é chamada no AT "Língua de Ca­naã" (Is 19.18) e "língua judaica" ou "judaico" (2 Rs 18.26,28; Is 36.13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes. Há si­nais vocálicos, sim, mas não podemos chamá-los de letras.
Sabe-se agora que a forma primitiva dos caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 1.800 anos antes de Cristo. Exemplos mais recentes das letras hebraicas há no Calendário de Gézer (950-920 a.C), na Pedra Moabita (850 a.C); na inscrição de Siloé (702 a.C); nas moedas do tempo dos irmãos Macabeus (175-100 a.C), e nalguns fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, a partir de 1947. Esta forma primitiva do hebraico passou por modificações com o correr do tempo. Após o exílio, teve início a chamada "escrita quadrada", que, por fim, foi pe­los massoretas convertida na atual forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada modificada.
A escrita hebraica dos tempos antigos só empregava consoantes sem qualquer sinal de vocalização. Os sons vo­cálicos eram supridos pelo leitor durante a leitura, o que dava origem a constantes enganos, uma vez que havia pa­lavras com as mesmas consoantes, mas com acepções dife­rentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia da habili­dade do leitor, levando em conta o contexto e a tradição. É por causa disso que se perdeu a pronúncia de muitas pala­vras bíblicas.
Após o século VI, os eruditos judeus residentes em Ti-beríades, passaram a colocar na escrita sinais vocálicos, perpetuando, assim, a pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos colocados em cima, em baixo e dentro das consoantes. Os autores desse sistema de vocalização chama­vam-se massoretas - palavra derivada de "massorah", que quer dizer tradição, isto porque os massoretas, por meio desse sistema, fixaram a pronúncia tradicional do hebrai­co. Qualquer texto bíblico posterior ao século VI é chama­do "massorético", porque contém sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos massoretas foram os judeus Moses ben Asher; e seus filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalha­ram em Tiberíades, na Galiléia.
Além do texto massorético, há outro texto hebraico das Escrituras, o do Pentateuco Samaritano, que emprega, os antigos caracteres hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, dois tipos de textos que temos em hebraico: o Massorético e o Pentateuco Samaritano.

b. O Aramaico é um idioma semítico falado desde 2.000 a.C, em Arã ou Síria, que é a mesma região. {Arã é hebreu; Síria é grego.) Nas Escrituras, o território da Síria não é o mesmo de hoje, o que acontece também com outras terras bíblicas. O primitivo território estendia-se das mon­tanhas do Líbano até além do Eufrates, incluindo Babilô­nia, Mesopotâmia Superior (conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã - Gn 25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa grande área da Arábia Pétrea.
Os trechos escritos em aramaico são:
o Esdras 4.8 a 6.18; 7.12-26.
o Daniel 2.4 a 7.28.
o Jeremias 10.11.
A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C. na Assíria, e continuando através do cativeiro do reino de Ju-dá, em 587, em Babilônia. Em 536, quando Israel começou a regressar do exílio, falava o aramaico como língua verná­cula. É por essa razão que, no tempo de Esdras, as Escritu­ras, ao serem lidas em hebraico, em público, era preciso in­terpretá-las, para compreenderem o seu significado (Ne 8.5,8).
No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se a língua po­pular dos judeus e nações vizinhas; estas foram influencia­das pelo aramaico devido às transações comerciais dos ara-meus na Ásia Menor e litoral do Mediterrâneo. Em 1.000 a.C, o aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. O aramaico é também chamado "siríaco", no Norte (2 Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também "caldaico", no Sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, diferia nos sons e na estrutura de certas partes gramaticais. Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogais; a partir de 800 d.C, é que os sinais vocálicos lhe fo­ram introduzidos. É muito parecido com o hebraico.
O aramaico foi a língua do Senhor Jesus, seus discípu­los e da igreja primitiva, em Jerusalém. Em Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico io­de), Ele tinha em mente o alfabeto aramaico, pois somente neste é que se verifica isto. (A letra iode originou o nosso i).

Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no "aramaico palestinense", como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra evi­dência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-20, uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico..
O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino no templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e erudi­tos. Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém, e, depois da queda da cidade, em Tiberíades. Havia esco­las semelhantes noutros centros judaicos. As conquistas á-rabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Á-sia, África e Europa, reduziu e por fim destruiu a influên­cia do aramaico. Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir. Para que se cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua re­vivesse e assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.
O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de 4.000 habitantes.
Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se hebraico, conforme se vê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14; 72
Apocalipse 9.11. Portanto, quando o NT menciona o hebraico, trata-se, na realidade, do aramaico. Marcos, es­crevendo para os romanos, põe em aramaico 5.41 e 15.34 do seu livro; já Mateus, que escreveu para os judeus, escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).
O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata" (Ed 2.63 FIG) e "sátrapa" (Dn 3.2).

c. O Grego. Esta é a língua em que foi originalmente es­crito o Novo Testamento. A única dúvida paira sobre o li­vro de Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escri­to em aramaico. O grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos dórico e ático. Os dóri-cos e os áticos foram duas das principais tribos que povoa­ram a Grécia. É língua de expressão muito precisa, e, das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da nossa.
O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, dos co­merciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a partir das conquis­tas de Alexandre, em 336 a.C. Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de 13 anos, alterou o curso da história do mundo. A Grécia tornou-se um império mun­dial, e toda a terra conhecida recebeu influência da língua grega. Deus preparou, deste modo, um veículo lingüístico para disseminar as novas do Evangelho até os confins do mundo, no tempo oportuno.
Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia tradu­zida do hebraico para o grego - a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C. Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos pri-mórdios do cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isso! Ele não enviaria o seu Filho ao mun­do enquanto este não estivesse preparado, e esse preparo incluía uma língua conhecida por todos. (Ver Marcos 1.15 e Gálatas 4.4.)
A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a últi­ma ômega. Quando, em Apocalipse 1.8, Jesus diz que é o Alfa e o ômega, está afirmando que é o primeiro e o últi­mo. Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.
Ninguém vá supor que por não conhecer essas línguas originais das Escrituras, não compreenderá a revelação di­vina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliará muito, mas não é o essencial. Na Bíblia, como já dissemos, vêem-se duas coisas principais: o texto e a men­sagem. O principal é a mensagem contida no texto. É espe­cialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, reve­la e maneja como sua espada (Ef 6.17).

II. OS MANUSCRITOS DA BÍBLIA

A história da Bíblia e como chegou até nós, é encontra­da em seus manuscritos. Manuscritos são rolos ou livros da antiga literatura, escritos à mão. O texto da Bíblia foi pre­servado e transmitido mediante os seus manuscritos. Nos tratados sobre a Bíblia, a palavra manuscritos é sempre in­dicada pela abreviatura MS, no plural MSS ou Mss.
Há, em nossos dias, cerca de 4.000 MSS da Bíblia, preparados entre os séculos II e XV.

a. Material gráfico dos MSS bíblicos.
Há dois materiais principais: papiro e pergaminho. (Consulte o Cap. II da presente matéria.) O linho era usa­do também, mas não tanto como os dois citados. O centro da indústria de papiro era o Egito, onde teve início o seu emprego, cerca de 3.000 a.C. O papiro é um tipo de junco de grandes proporções. Tem caule tríquetro de 3 a 5 metros de altura, com 5 a 7 centímetros de diâmetro, tendo sua fronde em forma de guarda-chuva. As dimensões da folha de papiro preparada para a escrita eram normalmente 30 cm a 3 m de comprimento por 30 cm de largura. Essas fo­lhas eram formadas por tiras cortadas da planta, sobrepos­tas cruzadas, coladas, prensadas e depois polidas. Eram escritas de um lado, apenas. Tinham cor amarelada. À fo­lha do papiro assim preparada, os gregos chamavam biblos.
Pergaminho é a pele de animais curtida e preparada para a escrita; seu uso generalizado vem dos primórdios do cristianismo, mas já era conhecido em tempos remotos, pois já é mencionado em Isaías 34.4. O pergaminho prepa­rado de modo especial chamava-se velo. Este tornou-se co­mum a partir do século IV. É mais durável. Foi muito usa­do nos códices. Tudo indica que o vocábulo pergaminho derivou seu nome da cidade de Pérgamo, capital de um ri­quíssimo reino que ocupou grande parte da Ásia Menor, sendo Eumenes II (197-159 d.C), seu maior rei. Esse rei projetou formar para si uma biblioteca maior que a de Ale­xandria, Egito. O rei do Egito, por inveja, proibiu a expor­tação do papiro, obrigando Eumenes a recorrer a outro ma­terial gráfico. Tal fato motivou o surgimento de um novo método de preparar peles, muito aperfeiçoado, que resul­tou no pergaminho. Vindo o domínio romano, Pérgamo veio a ser a primeira capital da província da Ásia, situada ao oeste da Ásia Menor; sua segunda capital foi Éfeso. O Novo Testamento menciona esse material gráfico em 2 Ti­móteo 4.13 e Apocalipse 6.14.
Outros materiais foram usados para a escrita nos tem­pos antigos, mas de menor importância, como:
• Linho. Tem sido encontrado nas descobertas arqueo­lógicas.
• Ostraco, fragmento de cerâmica. É mencionado em Jó 38.14; Ezequiel 4.1. Foi muito usado em Babilônia.
• Madeira.
• Pedra (Êx 24.12; Js 8.30-32).
• Tábuas recobertas de cera (Is 8.1; Lc 1.63).
Um exemplo do emprego desses materiais é o livro es­crito em pedra, conhecido como Código Hamurabi. Trata-se de um rei de Babilônia coevo de Abraão. É identificado pelos cientistas como o Anrafel de Gênesis 14.1. É um códi­go de leis descoberto em Susa, em 1902, lindamente traba­lhado em pedra, com 2 m de altura. Esse livro é testemu­nha de que aquele tempo o homem atingira uma capacida­de literária notável. O código trata do culto nos templos (pagãos, é claro), administração da justiça e leis em geral. Vimos esse código no Museu do Louvre, Paris.
A tinta usada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma substância líquida semelhante a goma arábica. (Ver Jeremias 36.18; Ezequiel 9.2; 2 Coríntios 3.3; 2 João 12; 3 João 13.) 0 carvão é um elemento que se con­serva admiravelmente através dos séculos, não sendo afe­tado por substâncias químicas. Para a escrita em papiro ou pergaminho, usavam penas de aves, pincéis finos e um tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para a cera usavam um estilete de metal (Is 30.8).
Cuidado redobrado havia com a escrita dos livros sa­grados. Devemos ser sumamente agradecidos aos judeus por seu cuidado extremo na preparação e preservação dos manuscritos do Antigo Testamento. Aqui estão algumas regras que eles exigiam de cada escriba. O pergaminho ti­nha de ser preparado de peles de animais limpos, prepara­do somente por judeus, sendo as folhas unidas por fios fei­tos de peles de animais limpos. A tinta era especialmente preparada. O escriba não podia escrever uma só palavra de memória. Tinha de pronunciar bem alto cada palavra an­tes de escrevê-la. Tinha de limpar a pena com muita reve­rência antes de escrever o nome de Deus. As letras e pala­vras eram contadas. Um erro numa folha, inutilizava-a. Três erros numa folha, inutilizavam todo o rolo.

b. O formato dos MSS
Quanto ao formato, os MSS podem ser códices ou rolos.
Códice é um MS em formato de livro, feito de pergami­nho. As folhas têm normalmente 65 cm de altura por 55 de largura. Este tipo de MS começou a ser usado no Século II. O rolo podia ser de papiro ou pergaminho. Era preso a dois cabos de madeira, para facilitar o manuseio durante a lei­tura. Era enrolado da direita para a esquerda. Sua exten­são dependia da escrita a ser feita. Portanto, antigamente não era fácil conduzir pessoalmente os 66 livros como faze­mos hoje
c. A caligrafia dos MSS.
Há dois tipos de caligrafia ou forma gráfica nos MSS bíblicos, o que os divide em unciais e cursivos. Uncial é o MS de letras maiúsculas e sem separação entre as pala­vras. Cursivo é o de letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras. Tal diferença na forma gráfica deu-se no século X. Palimpsesto é um MS reescrito, isto é, a escrita pri­mitiva era raspada e novo texto escrito por cima. Isso ocor­ria devido ao alto preço do pergaminho. Inutilizava-se as­sim uma escrita para se usar o mesmo material. Os manus­critos originais também não tinham sinais de pontuação. Estes foram introduzidos na arte de escrever em época re­cente. É claro, pois, que a pontuação moderna não é inspi­rada, e por isso não dá, às vezes, sentido às palavras do ori­ginal.

d. MSS originais da Bíblia. MSS originais saídos das mãos dos escritores não há nenhum conhecido. É provável que se houvesse algum, os homens o adorassem mais do que ao seu divino Autor. Lembremos a adoração da ser­pente de metal pelos israelitas (2 Rs 18.4) e da cruz de Cristo e da virgem Maria, pelos católico-romanos; e o caso de João querer adorar o mensageiro celestial (Ap 22.8,9).

A falta de MSS originais provém do seguinte:

1) O costume dos judeus de enterrar todos os MSS es­tragados pelo uso ou qualquer outra coisa; isto para evitar mutilação ou interpolação espúria.
2) Os reis idolatras e ímpios de Israel podem ter des­truído muitos, ou contribuído para isso. (Veja o episódio de Jeremias 36.20-26.)
1. O monstro Antíoco Epifânio, rei da Síria (175-164 a.C), dominou sobre a Palestina durante seu reinado. Foi extremamente cruel, sádico; tinha prazer em aplicar tortu­ras. Decidiu exterminar a religião judaica.
Assolou Jerusa­lém em 168, profanou o templo e destruiu todas as cópias que achou das Sagradas Escrituras.
4) Nos dias do feroz imperador Diocleciano (284-305 d.C), os perseguidores dos cristãos destruíram quantas có­pias acharam das Escrituras. Durante dez anos, Dioclecia­no mandou vasculhar o Império para destruir todos os es­critos sagrados. Ele chegou a julgar que tivesse destruído tudo, pois mandou cunhar uma moeda comemorando tal "vitória".
A literatura judaica diz que a missão da Grande Sina­goga, presidida por Esdras, foi reunir e preservar os MSS originais do AT, e que os MSS de que se serviram os setenta, foram esses preservados pela Grande Sinagoga, que en­cerrou o cânon do AT.
e. MSS existentes mais antigos e mais importantes

1) MSS do AT em hebraico.

Até a descoberta dos MSS do mar Morto, em 1947, os mais antigos MSS do AT hebraico eram:
• Códice dos primeiros e últimos profetas. Está na Si­nagoga Caraíta, do Cairo. Foi escrito em Tiberíades, em 895 d.C, por Moses Ben Asher, erudito judeu de renome. (Caraítas são os judeus que rejeitam a doutrina ortodoxa dos rabinos e reclamam liberdade na interpretação da Bíblia.) Contém os primeiros profetas, segundo a organiza­ção do cânon hebraico do AT: Josué, Juizes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. Contém também os últimos profetas: Isaías, Je­remias, Ezequiel, e os Doze.
• Códice do Pentateuco. Escrito cerca de 900 d.C, está no Museu Britânico, sob número 4445. Foi escrito por um filho de Moses Ben Asher: Arão.
• Códice Petrogradiano. Escrito em 916 d.C. Contém apenas os últimos Profetas. Veio da Criméia. Está na biblioteca de Leningrado (a antiga Petrogrado), donde o nome.
• Códice Aleppo. Contém todo o texto do Antigo Testa­mento. Copiado por Shelomo Ben Bayaa. Seus sinais vocá-licos foram colocados por Moses Ben Asher, cerca de 930 d.C. Foi contrabandeado em anos recentes da Síria para Israel. Será utilizado como base da nova Bíblia Hebraica, em preparo pela Universidade Hebraica, de Jerusalém.
• Códice 19 A. Está na biblioteca de Leningrado (Rús­sia).
Data: 1008 d.C. O original foi escrito por Moses Ben Asher, cerca de 1000 d.C. Foi copiado no ano 1008, no Cai­ro, por Samuel Ben Jacob. Quando a Rússia o adquiriu, o comunismo ainda não dominava ali. Este é o mais antigo MS completo do AT em hebraico. (Isto é, mais antigo da­tado.)
• O rolo de Isaías, mar Morto, 1947. Nos rolos desco­bertos, nas proximidades do mar Morto, em 1947, foi en­contrado um MS de Isaías, em hebraico, do ano 100 a.C, isto é, 1.000 anos mais velho que o mais antigo MS até en­tão existente. Uma vez que o texto de tal rolo concorda com o das nossas Bíblias atuais, temos nisso uma prova singular da autenticidade das Escrituras, considerando-se que esse rolo de Isaías tem agora mais de 2.000 anos de existência!

2) MSS do Antigo e Novo Testamento em grego.

É digno de nota que os MSS mais antigos da Bíblia es­tão em grego. Esses manuscritos não são originais, são có­pias. Os originais saídos das mãos dos escritores, perde­ram-se. Pela ordem cronológica, vamos citar os mais anti­gos MSS existentes da Bíblia em grego:
• Códice Vaticano ou "B". Pertence à biblioteca do Vaticano. Data: 325 d.C. O AT é cópia da Septuaginta. Contém os apócrifos em separado. Essa biblioteca foi fun­dada em 1488, e no seu primeiro catálogo, publicado em 1475, aparece esse MS. Ê uncial.
• O Códice Sinaítico ou "Álefe". Pertence ao Museu Britânico. Data: 340 d.C. Foi descoberto pelo erudito cris­tão Tischendorf, em 1844, no Mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai. A história de sua aquisição é mui­to impressionante. Foi o Czar da Rússia que o adquiriu, em 1899. O Governo inglês comprou-o dos russos, em 1933, por 100.000 libras esterlinas, equivalentes então a 510.000 dó­lares. Um dos livros mais caros do mundo. É uncial.
• Códice Alexandrino ou "A". Pertence ao Museu Bri­tânico. Data: 425 d.C. Tem este nome porque foi escrito em Alexandria e também pertenceu à sua biblioteca. Em 1621, foi levado a Constantinopla por Cirilo Lúcar, patriar­ca de Alexandria. Em 1624, Cirilo presenteou-o ao rei Tia­go I da Inglaterra, o mesmo rei que autorizou a famosa ver­são inglesa de 1611. Em 1757, o rei Jorge II doou a bibliote­ca da família real à nação, e assim o famoso MS chegou ao Museu Britânico. É um MS uncial.
• O Códice Efráemi ou "C". Pertence ao Museu do Louvre, Paris. Data: 345 d.C. É um palimpsesto. Ao ser restaurada a primeira escrita, constatou-se serem ambos os Testamentos incompletos. O doutor Tischendorf publi­cou-o em 1845. É bilingüe: grego e latim.
• Códice Bezae ou "D". Pertence à biblioteca da Uni­versidade de Cambridge, Inglaterra. Data: Século VI. Con­tém os Evangelhos, Atos e parte das Epístolas.
• O Códice Claromontanus ou "D2". Pertence ao Mu­seu do Louvre, Paris. Data: Século VI. Contém as epístolas paulinas. Estes três últimos são também unciais.

f. As Bíblias impressas mais antigas.
1) 0 Antigo Testamento Impresso em Hebraico.
• O primeiro texto impresso em hebraico do AT foi publicado em 1488, em Soncino, Itália. Contém os sinais vocálicos.
• O segundo texto mais antigo impresso em hebraico do AT é o constante da Bíblia chamada "Complutensiana Poliglota", preparada pelo cardeal Ximenes, de Cisneros, na Universidade de Alcalá, próximo a Madri, Espanha. Foi impressa em 1514 - 1517, mas somente distribuída em 1522. A Poliglota traz além do AT em hebraico, o NT em grego, a Septuaginta em latim, e a Vulgata, em latim (AT e NT). Abrange seis volumes.
• A primeira Bíblia Rabínica. Foi preparada por Felix Pratensis e publicada por Daniel Bomberg, em Veneza, em 1516-1517.
• O texto preparado por Jacob Ben Chayin e impresso por Daniel Bomberg em Veneza, em 1524-1525, tornou-se um texto padrão para estudo. Foi a segunda Bíblia Rabíni­ca impressa.
• O texto de Amsterdam, publicado entre 1661-1667. É uma combinação dos textos de Chayim e o de Ximenes.
• 0 texto de Van der Hooght, publicado em 1705. É uma revisão do texto de Amsterdam.
• O texto de Kennicott, editado em 1776-1780. Este texto segue o de Van der Hooght de 1705.
• O texto de Letteris, publicado em 1852. É uma revi­são do texto de Van der Hooght. Este é o texto padrão ado­tado em nossos dias pelas Sociedades Bíblicas em todo o mundo.
• O texto de Rudolph Kittel, de 1906, originado do tex­to de Chayim. A terceira edição de Kittel, em 1937, aban­donou o texto de Chayim, publicando o do MSS 19A.
2) O Novo Testamento impresso em grego
• O primeiro texto impresso em grego do NT é o da "Complutensiana Poliglota", de que já falamos quando nos ocupamos do texto impresso em hebraico.
• O texto de Erasmo (teólogo holandês), publicado e distribuído em 1516. Este foi o primeiro texto impresso dis­tribuído, do Novo Testamento. A poliglota do Cardeal Xi-menes só veio a público em 1522, mas fora impressa em 1514-1517.
• O texto de Robert Stephanus, publicado em 1546, em Paris. É baseado no de Erasmo e na Poliglota.
• O texto de Theodoro Beza, publicado em 1565 e 1664. Base: Stephanus.
• 0 texto dos irmãos Elzevirs, holandeses, de 1624-1678. Base: Stephanus e Beza. É conhecido como o "Tex-tus Receptus" devido a uma expressão que contém no pre­fácio.
• 0 texto de Westcott e Hort, dois eminentes eruditos ingleses. Data: 1881-1882. Suplantou o "Textus Recep­tus".
• Há, por fim, os mais recentes textos impressos do NT em grego, que são os de Herman Von Soden, Scrivener, e Eberhard Nestle. Este último é muito utilizado no preparo de versões modernas.

g. Os MSS do mar Morto.
Num dia de verão, em 1947, o pastor beduíno árabe, Muhammad ad Dib, da tribo dos Taa'mireh, que se acam­pa entre Belém e o mar Morto, saiu a procura de uma cabra desgarrada nas ravinas rochosas da costa noroeste do referido mar, e encontrou um inestimável tesouro bíbli­co. Estava o pastor junto à encosta rochosa do uádi Qüm-ram. Ao atirar uma pedra numa das cavernas ouviu um barulho de cacos se quebrando. Entrou na caverna e en­controu uma preciosa coleção de MSS bíblicos: 12 rolos de pergaminho e fragmentos de outros. Um dos rolos era um MS de Isaías do ano 100 a.C, isto é, mil anos mais antigo que os exemplares até então conhecidos. Os rolos estão es­critos em papiro e pergaminho e envolvidos em panos de li-nho. Outras cavernas foram vasculhadas e novos MSS fo­ram encontrados.
Novas luzes estão surgindo na interpretação de passa­gens difíceis do AT. Exemplos: em Êxodo 1.5, o total de pessoas é 75, concordando assim com Atos 7.14. (O hebrai­co não tem algarismos para os números e sim letras; daí, para um erro não custa muito...) Em Isaías 49.12, o novo MS de Isaías diz "Siene" e não "Sinin". Ora, Siene era uma importante cidade fronteiriça do Egito, às margens do Nilo, junto à Etiópia. É hoje a moderna Assuam, com sua extraordinária represa. Ezequiel 29.10 e 30.6 referem-se a essa cidade; a versão ARC grafa "Sevené". Muitos eruditos pensavam até agora que o termo "Sinin" de Isaías 49.12 fosse uma alusão à China. É muito confortante saber que os textos desses MSS encontrados concordam com os das nossas Bíblias.
Pesquisas revelam que os MSS do mar Morto foram es­condidos pelos essênios - seita ascética judaica - durante a segunda revolução dos judeus contra os romanos em 132-135 d.C. Os responsáveis por um grande mosteiro agora descoberto, ao verem aproximar-se as tropas romanas, es­conderam ali sua biblioteca! Nas 267 cavernas examina­das, foram encontrados fragmentos de 332 obras, ao todo. Encontraram, inclusive, cartas do líder dessa revolta: Bar Kochba, em perfeito estado, estando sua assinatura bem nítida. Nos MSS encontrados há trechos de todos os livros do AT, exceto Ester.

h. Cálculo da data de um MS Calcula-se a data de um MS:
1) Pela forma das letras. Cada forma representa uma é-poca, tanto no grego como no hebraico.
2) Pelo modo como estão escritas as palavras no texto. Se ligadas ou separadas. Isto também indica época.
3) Pelas letras iniciais de títulos, parágrafos, etc. Se adornadas ou singelas. Isto também indica o tempo.
1. Pelo carbono-14. Este é um método científico e revo­lucionário. Trata-se do seguinte: Todo ser vivo absorve C-14. Cada 5.600 anos o C-14 perde metade de sua radioativi­dade primitiva. Assim cen

Era preciso a tradução da Bíblia para dar cumprimento às palavras do Senhor Jesus após ressuscitar: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15). Ora, o mundo está dividido em nações, tribos e povos, cada qual com suas línguas. Hoje, quando vemos as Escrituras traduzidas em mais de 1.700 línguas, sabemos que Aquele que comissionou os discípulos para tão grande obra, prove­ria também os meios para a sua realização.
a. Versões semíticas.

1) O Pentateuco Samaritano.
Não é propriamente uma versão. É o texto hebraico do Pentateuco, escrito nos velhos caracteres hebraicos ou em samaritano. O samaritano é um dialeto oriundo do hebrai­co antigo, surgido com a mistura do povo assírio trazido para Samaria por Sargão II, por ocasião do cativeiro das 10 tribos. É uma mistura do hebraico antigo com o assírio. Dele existem muitas cópias. É a Bíblia da seita dos sama-ritanos, que teve início com a expulsão de Manasses de Je­rusalém (Ne 13.23-30), e a conseqüente construção de um templo rival no monte Gerizim. Isso marcou o início da contínua separação, pela qual "os judeus não se comuni­cam com os samaritanos" (Jo 4.9). Em 1616, Pietro Delia Valle trouxe para a Europa o primeiro exemplar do Penta­teuco Samaritano, comprando-o em Damasco, da mão de um samaritano. Os MSS existentes estão escritos em sa­maritano. Em Nablus (a antiga Siquém) os samaritanos exibem antigos MSS do Pentateuco Samaritano na sina­goga que lá se encontra. Há um desses manuscritos que eles afirmam ter sido escrito por um bisneto de Moisés, no 13? ano após a conquista de Canaã, por Josué, o que sabe­mos ser mera conjectura, sem fundamento.


2) Os Targuns.
São paráfrases ou explicações, em aramaico do AT. A palavra significa "interpretações". Quando os judeus re­gressaram do exílio, tinham perdido o uso do hebraico. Era preciso que tivessem as Escrituras em hebraico, mas tam­bém era preciso que alguém lhes transmitisse o real signifi­cado do texto. Nesse tempo, a leitura em público, das Es­crituras, era seguida de explicação pelo leitor, para que o povo pudesse entender (Ne 8.8.) Os Targuns eram a princí­pio resumidos e simples, mas pouco a pouco tornaram-se aperfeiçoados e, finalmente foram reduzidos a escrita. Os principais Targuns são:
• O da Lei, feito por Ónquelos, amigo de Gamaliel, do Século II d.C.
• Os dos Profetas e Livros Históricos, feitos por Jonathan Ben Uziel, que diz ter sido discípulo de Hilel, de é-poca posterior. (Não confundam os Targuns com o Talmu-de; este é o conjunto de tradições judaicas e explicações orais do AT reduzidas a escrita no Século II d.C.)
b. Versões gregas.

1) A Septuaginta.
É comumente designada por "LXX". O nome vem do latim "Septuaginta", que quer dizer "70". Aristeas, escri­tor da corte de Ptolomeu Filadelfo, que reinou de 285-246 a.C, escrevendo a seu irmão Filócrates, conta que o referi­do monarca, por proposta de seu bibliotecário, Demétrio de Falero, solicitou ao sumo sacerdote judaico, Eleazar, que lhe enviasse doutores versados nas Sagradas Escritu­ras para preparar-lhe uma versão delas, em grego. Ele muito ouvia falar das Escrituras e queria uma versão de­las, para enriquecer sua vasta biblioteca, em Alexandria. O sumo sacerdote escolheu 72 eruditos (6 de cada tribo) e enviou-os a Alexandria, os quais completaram a versão em 72 dias. Josefo registra o fato com detalhes que o espaço não nos permite registrar. De 72 derivou-se o nome "Sep­tuaginta."
A tradução foi feita na ilha de Faros, situada no porto da cidade. Essa Bíblia teve a mais ampla difusão entre as nações, especialmente naquelas onde estavam os judeus da dispersão oriunda do cativeiro. Os magos que visitaram o menino Jesus, sem dúvida, conheciam esta Bíblia no Oriente.

Foi a Septuaginta um dos meios que Deus usou na preparação dos povos e nações para o advento do Evange­lho que seria proclamado por Jesus e seus discípulos, ao chegar a "plenitude dos tempos" (Gl 4.4). Ela, por onde quer que ia, disseminava as profecias que apontavam para o Messias. A língua grega foi outro veículo usado por Deus. Ela serviu para levar o Evangelho ao mundo de então.
Foi a Septuaginta a primeira tradução completa do AT, do original hebraico. Foi também ela que situou e di­vidiu os livros por assuntos como os temos hoje: Lei, Histó­ria, Poesia, Profecia. Não há um só exemplar original da Versão dos Setenta; somente cópias, a mais antiga das quais data de 325 d.C. (É o MS Vaticano, estudado noutra parte deste capítulo.) A carta de Aristeas é tida por espú­ria por modernos estudiosos; sustentam estes que a Versão Septuaginta foi preparada aos poucos; que o Pentateuco foi traduzido em 250 a.C, e em seguida, os demais livros; terminando a versão em 150 a.C. Seja como for, é ela a mais antiga tradução da Bíblia hebraica. Os outros gran­des MSS da LXX são os já estudados códices: Vaticano, Sinaítico e Alexandrino. A Septuaginta é usada ainda hoje na Igreja Grega. Sua primeira aparição impressa é a cons­tante da Complutensiana Poliglota publicada em Alcalá, província de Madri, em 1514-1517, e distribuída em 1522 pelo Cardeal Ximenes.

2) A versão de Áqüila, natural de Sínope, cidade do Ponto. É uma tradução puramente literal. Contém só o AT. Foi feita em 138 d.C, no reinado de Adriano. Existe em fragmentos.
3) A versão de Teodocião, natural de Éfeso, coevo de Justino Mártir, que o menciona em seus escritos. Foi feita em 160 d.C, no tempo do Imperador Cômodo. Não é mais que uma revisão dos LXX. Contém só o AT. Teodocião era ebionita.

4) A versão de Símaco, feita em 218. Só do AT. Símaco era também ebionita. Existe em fragmentos.
1. A Héxapla, de Orígenes. Não é propriamente uma versão; é obra compendiada. Devido a falhas na tradução da Septuaginta, Orígenes, grande erudito da igreja primitiva, compôs, em Cesaréia, a sua Héxapla, ou versão de 6 colunas, em 228 d.C. As seis colunas estão dispostas da di­reita para a esquerda, assim:

1ª O texto hebraico
2ª O texto grego traduzido do hebraico
3ª A versão de Áqüila
4ª A versão de Símaco
5ª A Septuaginta
6ª A versão de Teodocião
Jerônimo consultou essa obra no Século IV. É também citada por Euzébio, que dela copiou o texto dos LXX e também correções e edições de outros tradutores que Orí-genes incluíra. Admite-se que a famosa Héxapla perdeu-se no saque dos sarracenos contra Cesaréia, em 653 d.C. Se ela tivesse chegado até nós, teríamos hoje três traduções gregas para comparar com a dos Setenta. Dela só se conhe­ce citações. O texto dos Setenta, da Héxapla, foi publicado em 1714 por Montfaucon. Euzébio, bispo de Cesaréia (263-340) o copiara.

c. Versões siríacas.

A partir de agora, entra nas versões o NT. Poucos anos após a fundação da Igreja havia igrejas espalhadas em re­giões remotas como Ásia Menor, Roma, Antioquia, etc, isso devido ao zelo inflamado pelo Espírito Santo nos cren­tes de então. Eles percorriam as estradas acima e abaixo contando a história de Jesus. A disseminação das Escritu­ras era por meio de cópias manuscritas. Os apóstolos de Je­sus ainda viviam quando as primeiras versões siríacas fo­ram feitas.
1) A Peshito. Significa simples. Foi feita diretamente do hebraico, pela Igreja Siríaca de Edessa, no Nordeste da Mesopotâmia, no século II. Abrange pela primeira vez o NT, com exceção de poucos livros. E ainda hoje a Bíblia do remanescente da Igreja Siríaca. Começou a ser feita quan­do ainda viviam os apóstolos, isto é, no século I, e foi con­cluída entre 150 a 200 d.C. Deu origem a outras versões, como seja, a árabe, a pérsica e a armênia. Esta versão ser­viu às igrejas do Oriente.

2) A versão Filoxênia. Traduzida por Filoxeno, em 508, bispo de Hierápolis na Ásia Menor. Compreende só o Novo Testamento.
d. Versões latinas.
O latim era a língua falada pelos romanos. Foi língua importantíssima, especialmente considerando-se que o úl­timo império mundial foi o romano.
O latim foi implanta­do à medida que o império romano realizava suas conquis­tas. João, em seu Evangelho, diz-nos que o título posto sobre a cruz de Jesus estava escrito também em latim (Jo 19.20). Foram as seguintes as versões latinas:

1) A Antiga Versão Latina. É também chamada Versão Africana do Norte. Foi feita na África do Norte, possivel­mente em Cartago. Abrange ambos os Testamentos. Ser­viu às igrejas do Ocidente. Seu AT foi traduzido não do texto hebraico e sim do texto grego da Septuaginta. Foi concluída em 170 d.C. Era bem conhecida por Tertuliano, falecido em 220, e de Agostinho. Teve várias revisões. Dela restam uns 40 MSS.
2) A ítala. Também conhecida por Vetus ítala (em la­tim). É mais propriamente uma revisão da Antiga Versão Latina. Foi preparada na Itália, na segunda metade do Sé­culo II. Abrange ambos os Testamentos.
3) A Revisão de Jerônimo. É uma revisão da Antiga Versão Latina, feita por Jerônimo em 382-387 d.C. Jerôni­mo foi encarregado disso por Dâmaso, bispo de Roma. Nesse trabalho Jerônimo utilizou a Héxapla de Orígenes. Foi nesse tempo que a Septuaginta começou a cair em de­suso.
4) A Vulgata. É uma nova versão da Bíblia por Jerôni­mo. O AT foi traduzido diretamente do hebraico, e do NT revisto. Em assuntos bíblicos, foi Jerônimo o homem mais sábio do seu tempo. Era também dotado de grande pieda­de e valor moral. Para realizar esta obra, ele instalou-se num mosteiro, em Belém. Baseou-se na Héxapla de Oríge­nes. A versão foi feita em 387-405 d.C. Tinha Jerônimo 60 anos quando iniciou a tarefa. Já antes, em Belém, fizera a revisão da Antiga Versão Latina.
A Vulgata foi a Bíblia da Igreja do Ocidente na Idade Média. Foi também ela o primeiro livro impresso após a invenção do prelo, saindo à luz em 1452, em Mogúncia, Alemanha. Devido à popularidade e difusão que teve, foi, no tempo de Gregório o Grande (604 d.C), denominada "Vulgata", do latim "vulgos" = povo, isto é, versão do po­vo, popular, corrente. Por mil anos a Vulgata foi a Bíblia de quase toda a Europa. Foi ela também a base de inúme­ras traduções para outras línguas.

Foi decretada como a Bíblia oficial da Igreja Romana no Concilio de Trento, 4? Sessão, em 8 de abril de 1546; decreto este somente cum­prido em 1592 com a publicação de nova edição da Vulgata pelo Papa Clemente VIII. Jerônimo nasceu em 342 e fale­ceu em Belém, em 420.
e. Outras versões orientais. Entre estas podemos mencionar:
1) As versões egípcias ou cópticas. São 3 as de primeira ordem. Foram feitas até o ano 500 d.C.
2) A Etíope, feita em 330, abrangendo ambos os Testa­mentos, com base na LXX.
3) A Gótica, feita em 350, de ambos os Testamentos também, com base na LXX.
4) A Armênia, feita no Século V. Base: os LXX.
5) A Georgina, feita no Século V. Preparada por meio de cópias da versão Armênia.
6) A Eslavônica, feita no Século IX. Base: os LXX. É ainda hoje usada pelos eslavos orientais e meridionais. Ambos os Testamentos. Foi preparada por dois irmãos missionários tessalonicenses à Bulgária e Morávia: Cirilo e Metódio.
Além destas versões orientais, há ainda as versões ára­bes, mas, de pouca importância para a crítica textual.

f. Versões européias.
Após um intervalo de 300 anos, começaram no Século XII as traduções nas línguas da Europa, tais como o fran­cês (1487), o italiano (1432), o alemão (1534), o sueco (1541), o dinamarquês (1550), o holandês (1560), o espa­nhol (1602), o finlandês (1642), o português (1681), etc. Hoje em dia a Bíblia está traduzida não só em todas as principais línguas da Europa, como também em todas as principais do mundo.
Em muitos dos países acima mencionados, houve tra­dução das Escrituras em datas bem anteriores, mas em porções e com diminuta circulação. A base da maioria das traduções que acabamos de mencionar foi a Vulgata.
Das versões européias, vamos destacar apenas três, de­vido à sua importância, que são:

1) Versões inglesas.
Foi a Bíblia que formou a mentali­dade do povo inglês e firmou a seriedade nacional. O povo inglês tem alta veneração pela Bíblia. Ela é tida e conside­rada como o sustentáculo daquele povo. Quando certo im­perador chinês perguntou à rainha Victória: - "Que fez a vossa nação tornar-se tão importante em todos os senti­dos?" Tomando uma Bíblia em suas mãos, respondeu a rainha: - "Este Livro, senhor".
A Inglaterra foi a primeira nação a ter a Bíblia em sua própria língua. Até então, as Escrituras estavam encerra­das em latim, desde muitos séculos; língua essa já desco­nhecida do povo em geral. Pequenas porções da Bíblia fo­ram traduzidas para o inglês a partir do Século VIII. Beda, falecido em 735, traduziu os quatro Evangelhos. Outras porções foram traduzidas até 1300 d.C.
Houve 13 principais versões em inglês, abrangendo a Inglaterra e os Estados Unidos, feitas entre 1380 e 1978. A primeira, de 1380, foi feita por John Wycliffe. Este foi um grande erudito e estudioso das Escrituras. Decidiu tradu­zir toda a Bíblia para a língua inglesa. O NT foi concluído em 1380. Até que ponto Wycliffe traduziu o AT é incerto, pois morreu em 1380, antes de completar a tarefa. Depois de morto, seu túmulo foi aberto por ordem do Papa; seu es­queleto foi queimado e as cinzas lançadas ao rio Swift. Seus auxiliares concluíram o trabalho após sua morte. É tradução da Vulgata. Tanto Wycliffe como seus auxiliares enfrentaram tenaz oposição. O prelo ainda não existia, e um escriba levava muitos meses para copiar uma Bíblia. Os exemplares eram caríssimos. Foi publicada em 1388 por Purvey, já com revisões. Purvey era o assistente de Wyclif­fe.
Pela ordem, o segundo tradutor inglês foi Tyndale. Es­tudou em Cambridge e Oxford. Conhecia a fundo o grego e demais línguas bíblicas. A Bíblia do Tyndale foi a primeira versão inglesa feita dos idiomas originais. Foi também a primeira Bíblia impressa em inglês. Tyndale enfrentou tal perseguição na Inglaterra, que foi obrigado a seguir para a Europa continental para poder continuar seu trabalho. Publicou ele o NT em Worms, Alemanha, em 1525. Devido à perseguição, os exemplares tiveram de entrar na Ingla­terra como contrabando. Lá, quando descobertos, eram queimados.

Tyndale foi morto antes de concluir a tradução do AT. Foi estrangulado e depois queimado, em 6 de ou­tubro de 1536, pelos católico-romanos de Antuérpia. A in­fluência do seu monumental trabalho continua até hoje, porque a famosa Versão Autorizada, hoje em uso, é prati­camente uma revisão da de Tyndale.

As quatro principais versões recentes inglesas são:

a) A Versão Autorizada ou Versão do Rei Tiago. Seis meses após Tiago subir ao trono da Inglaterra (1603) presi­diu uma conferência religiosa em Hampton, já em 1604. A conferência tinha por fim considerar as queixas dos purita­nos contra os anglicanos. Dessa conferência resultou a no­meação de 54 teólogos para prepararem uma nova versão da Bíblia (mas só 41 tomaram parte na obra). Foi publica­da em 1611. Continua até hoje sendo a Bíblia favorita dos povos de fala inglesa. Há 3 séculos vem ela mantendo o primeiro lugar entre as demais versões em inglês.
b) A Versão Revisada (English Reuised Version). Feita por um grupo de sábios ingleses e norte-americanos. O Novo Testamento foi publicado em 1881 e o AT em 1885. Tem grande vantagem sobre as Bíblias anteriores. É uma revisão da Versão Autorizada. No seu preparo foram utili­zados MSS a que os teólogos da Versão Autorizada não ti­veram acesso. Nela tomaram parte homens famosos como Sayce, Driver, Angus, Lightfoot, Westcott e outros douto­res da Bíblia.
c) A Versão Revisada Americana (American Standard Version). Esta versão é o texto preferido pelos membros norte-americanos do Comitê que preparou a Versão Revi­sada de 1881-1885. Foi publicada em 1900 (NT) e 1901 (AT).
1. A Versão Padrão Revisada (Revised Standard Ver­sion).^ mais uma nova versão do que revisão. Foi preparada nos Estados Unidos. Os primeiros passos para essa grande obra foram dados em 1929 quando foi nomeado o corpo de teólogos tradutores e mestres de reconhecida competência. Alguns deles foram Goodspeed, Moffat, Millar Burrows, Abright. Novos textos originais foram consultados. O NT foi publicado em 1946 e o AT em 1952. Há prós e contras quanto a esta versão. Não teve a popula­ridade que era de se esperar.

As quatro versões mais recen­tes são: New English Bible (1970); Good News Bible (1976); Jerusalém Bible (1966), e New International (1978). Esta última é considerada a versão mais fiel publi­cada até hoje em língua inglesa.
2) Versão alemã. Lutero preparou-a traduzindo dos ori­ginais. Concluiu-a em 1534. Houve antes outra versão deri­vada da Vulgata, de tradução literal, no Século XIV. Lute­ro executou o trabalho em plena Reforma, publicando a versão em 1522. Esta Bíblia foi de inestimável valor para o Movimento da Reforma. Foi tão bem feita que serviu de base para o alemão literário. Na Alemanha, a Bíblia é con­siderada como o começo da literatura alemã.
3) Versões em português. Como aconteceu em relação a outros idiomas, a Bíblia não foi inicialmente traduzida por inteiro em português. D. Diniz, rei de Portugal (1279-1375), traduziu da Vulgata uma parte do livro de Gênesis. O Rei D. João I (1385-1433) ordenou a tradução dos Evan­gelhos. Esse mesmo rei traduziu os Salmos. Frei Bernardo traduziu o Evangelho de São Mateus no Século XV. Em 1495, a rainha Leonor, casada com D. João II, mandou publicar o livro "Vida de Cristo", uma espécie de harmo­nia dos Evangelhos. Em 1505, a mesma rainha mandou imprimir os Atos e Epístolas Universais.

Agora vejamos as traduções completas.
a) A Versão de Almeida.
João Ferreira d'Almeida foi ministro do Evangelho da Igreja Reformada Holandesa, em Batávia, então capital da ilha de Java, na Oceania. (Batávia é agora a moderna Dja-karta, capital da Indonésia) Java era então domínio holan­dês, conquistada aos portugueses. Almeida traduziu pri­meiro o Novo Testamento, terminando-o em 1670; em 1681 foi ele impresso em Amsterdam, Holanda, isto é, 100 anos antes da primeira edição católica da Bíblia - a de Figueire­do, 1781! Almeida traduziu o Antigo Testamento até Eze-quiel 48.21, quando então faleceu em 1691. Missionários seus amigos completaram a tradução, especialmente Ja-cob Opden Akker. Almeida fez sua tradução do grego e hebraico, línguas que estudou após abraçar o Evangelho. Utilizou também as versões holandesa (de 1637) e a espa­nhola (de Valera, 1602). Seu Antigo Testamento foi publi­cado em 1753, em Amsterdam.

A Sociedade Bíblica Britâ­nica e Estrangeira começou a publicar o texto de Almeida em 1809, publicando a Bíblia completa pela primeira vez, em 1819. O texto de Almeida não era muito bom por ele ter deixado Portugal muito cedo e não ter cultura profunda.
O texto de Almeida foi revisado em 1894 e 1925. Em 1951, a Imprensa Bíblica Brasileira (organização batista independente) publicou a "Edição Revista e Corrigida", abreviadamente ARC.
Uma comissão de especialistas brasileiros trabalhando de 1945 a 1955 apresentou recentemente a "Edição Revista e Atualizada" de Almeida (ARA). É uma obra magnífica com linguagem qualificada e de melhor tradução. O NT foi publicado em 1951 e o AT em 1958. A publicação é da So­ciedade Bíblica do Brasil. A comissão revisora compôs-se de 30 elementos dos mais abalizados de várias denomina­ções. Foram membros, figuras como Sinésio Lira, A.C. Gonçalves, Crabtree, R.G. Bratcher, W. C. Taylor. Foi usado o texto grego de Nestle para o NT, e o hebraico de Letteris, para o AT. Fez-se o melhor possível. Há uma co­missão permanente de revisão acompanhando os progres­sos da crítica textual.
Alguns dados pessoais de Almeida. Nasceu em Torre de Tavares, em Portugal, em 1628. Emigrou para a Holanda, e daí seguiu para Java, achando-se aí em 1641. Converteu-se na Igreja Reformada Holandesa em 1642 por meio de um folheto que tratava sobre a "Diferença da Cristandade en­tre a Igreja Reformada e a Igreja Romana". Casou-se em 1651 com a filha de um pastor. Foi ordenado ao santo mi­nistério em 16 de outubro de 1656. Aprendeu grego e hebraico e começou a traduzir o Novo Testamento, tendo como base o "Textus Receptus" dos irmãos Elzevirs, segunda edição de 1633. Faleceu em 6 de agosto de 1691. A Igreja Católica, através do tribunal da Inquisição, quei­mou-o em estátua, em Gôa, antiga possessão portuguesa na índia. A Igreja Romana, nem mesmo agora, no chama­do Ecumenismo, se desculpou de tais coisas...

b) A Versão de Figueiredo.
O padre Antônio Pereira de Figueiredo, português, le­vou 17 anos no preparo de sua versão. Publicou o NT em 1781 e o AT em 1790. É tradução da Vulgata. Foi um dos maiores latinistas do seu tempo. Desde 1821, a SBBE publica o texto de Figueiredo.
O texto atual publicado pela SBBE é superior ao primitivo.
c) A Tradução Brasileira. Começou em 1904, por uma comissão de vultos do evangelismo brasileiro, nomeada pela SBA (Sociedade Bíblica Americana) e SBBE (Socie­dade Bíblica Britânica e Estrangeira). Entre outros, foram membros da comissão: Antônio Trajano, Eduardo Carlos Pereira e Hipólito de Oliveira Campos. O NT foi publicado em 1910 e o AT em 1917. A tradução é mui fiel ao original. Há muita rigidez na tradução. Falta-lhe a beleza de estilo e a segurança vernacular, porque a tradução é literal, e não à base da equivalência dinâmica, como se diz em lingüísti­ca.
d) A Versão de Rhoden. Consta só o NT. Era padre bra­sileiro de Santa Catarina, quando da tradução. Começou o trabalho como estudante, na Alemanha, em 1924-1927, concluindo-o no Brasil. Foi publicada em 1935. Este padre deixou a Igreja Romana. É versão muito usada para estudo comparativo e crítica textual. O texto grego usado foi o de Nestle.
e) A Versão de Matos Soares. Também padre brasilei­ro. Traduziu a Vulgata. Concluiu a tradução em 1932, mas só em 1946 foi publicada. É a Bíblia popular dos católico-romanos brasileiros. A versão carece de fidelidade. Como todo tradutor católico, nota-se em Matos Soares precon­ceitos e tendências, especialmente nos itálicos, que às ve­zes tem texto maior que o próprio original. O Papa é coni­vente nisto, conforme sua carta do Vaticano de 1932.

Alguns outros informes sobre a Bíblia em português.

• A Bíblia foi impressa a primeira vez no Brasil, em 1944, pela Imprensa Bíblica Brasileira.
• Entre as Bíblias mais populares do mundo está a em português. As outras são: a Vulgata, a de Lutero, e a Ver­são Autorizada (inglesa).
• Há no Brasil três entidades evangélicas publicadoras e distribuidoras de Bíblias. A primeira é a Imprensa Bíbli­ca Brasileira fundada em 1940. A segunda é a Sociedade Bíblica do Brasil fundada em 10-06-1948, resultante da fu­são das agências da SBA e SBBE que funcionavam no Bra­sil. A terceira é a Sociedade Bíblica Trinitariana, com sede em São Paulo.

• A primeira agência distribuidora de Bíblias no Brasil foi a da SBBE, em 1856; a segunda foi a da SBA, em 1876, ambas na cidade do Rio de Janeiro. Antes disso, vinham Bíblias para o Brasil através de comandantes de navios, que as entregavam a casas comerciais para revenda. A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo é a SBBE funda­da em 1804; a segunda é a SBA, fundada em 1816.
• Na distribuição de Bíblias em todo o mundo, o Brasil ocupa o segundo lugar!

IV. PARTICULARIDADES SOBRE O TEXTO BÍBLICO EM GERAL E A SUA TRADUÇÃO

1) As palavras em itálico. Não constam do original. Fo­ram introduzidas na tradução para completar o sentido do texto. Em português, a única versão protestante com itáli­cos é a ARC.
2) O uso da margem. Muitas Bíblias tem na sua mar­gem em determinados trechos, a tradução literal do hebraico ou do grego. Às vezes, tem uma tradução diferen­te quando o caso é duvidoso. São muito úteis essas notas marginais.
3) Datas impressas no texto. Muitas Bíblias antigas, em português, bem como noutras línguas, trazem datas impressas no texto. São datas da chamada "Cronologia Aceita" elaborada pelo arcebispo Ussher (anglicano) e in­seridas pela primeira vez no texto bíblico em 1701. Depois de Ussher, surgiram outras cronologias como a de Calmet,
Hales, etc. As investigações modernas e descobertas ar­queológicas têm alterado em muitos pontos a cronologia tradicional. A cronologia é terreno movediço, especialmen­te quanto aos primeiros milênios da História.
4) O sumário dos capítulos. São preparados pelos edito­res, e nada tem com a inspiração e o texto original. As ex­ceções são algumas frases introdutórias de certos salmos, como o 4, 5, 6, 7, 8, 9, 22, 32, 45, 46, 53, 56, 69, 75, etc. Tais sumários nem sempre correspondem aos capítulos aos quais se referem. Há casos até negativos, como a parábola dos "Dez Talentos", quando não são dez; a "Parábola do Rico e Lázaro", quando não se trata de parábola, e assim por diante.
1. A divisão do texto bíblico em capítulos e versículos. Não vem do original.
A primeira Bíblia que trouxe essa di­visão foi a Vulgata, em 1555. Em muitos casos, a divisão tanto em capítulos como em versículos, quebra o sentido, biparte o texto e altera toda a linha do pensamento. Exem­plo de capítulos: Isaías 53, que devia começar em 52.13; João capítulo 8, devia começar em 7.53; 2 Rs 7 devia come­çar em 2 Rs 6.24; o capítulo 3 de Colossenses devia termi­nar 4.1; o capítulo 10 de Mateus devia começar em 9.35; Atos 5 devia começar em 4.36, etc.
Com a divisão em versículos, acontece a mesma coisa, por exemplo: Efésios 1.5 devia começar com as duas últi­mas palavras de 1.4; 1 Coríntios 2.9,10 devia ser um só versículo; o mesmo devia ocorrer com Jo 5.39,40. Na Epís­tola aos Romanos, bem como em Efésios, há diversos casos desses. Também a divisão em versículos não é a mesma em todas as versões; por exemplo Daniel 3.24-30 da ARC, cor­responde a 3.91-97 em Matos Soares; Lucas 20.30 na ARC, corresponde a Lucas 20.30,31 na "Tradução Brasileira". Marcos 9.49 deve ficar ligado ao versículo 48, e não como está na ARA, tendo a epígrafe entre os dois versículos.
6) A divisão do texto em parágrafos é muito útil para a sua compreensão. O Salmo 2, por exemplo, contém 5 pará­grafos, tendo cada um aplicação diferente (vv 1-3, 4-6, 7-9, 10-12a; 12b). A única versão em português que indica os parágrafos é a ARA, com um tipo negrito cada vez que isso ocorre. Há versões noutras línguas que dão tanta importância a essa divisão, que, para maior comodidade do lei­tor, imprimem o próprio sinal gráfico para parágrafo (mui­to parecido com um "P" invertido).
7) Traduções da Bíblia até 1984. A Bíblia toda ou em parte acha-se traduzida em 1795 línguas e dialetos.
Ainda restam cerca de 1.000 línguas em que ela precisa ser traduzida.

CÂNON BIBLICO

O Cânon da Bíblia e sua evolução histórica

Cânon ou Escrituras canônicas é a coleção completa dos livros divinamente inspirados, que constituem a Bíblia.
Cânon é palavra grega, e significa, literalmente, "vara reta de medir", assim como uma régua de carpinteiro. No Antigo Testamento, o termo aparece no original em passa­gens como Ezequiel 40.5: "Vi um muro exterior que rodea­va toda a casa e, na mão do homem, uma cana de medir, de seis côvados, cada um dos quais tinha um côvado e um palmo; ele mediu a largura do edifício, uma cana, e a altu­ra, uma cana."
No sentido religioso, cânon não significa aquilo que me­de, mas aquilo que serve de norma, regra. Com este senti­do, a palavra cânon aparece no original em vários lugares do Novo Testamento:
"E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus" (Gl 6.16).


"Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos de­marcou e que se estende até vós" (2 Co 10.13).
"Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios, e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação" (2 Co 10.15).
"Todavia, andemos de acordo com o que já alcança­mos" (Fp 3.16).
A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou re­gra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O emprego do ter­mo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.)

I. O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

Na época patriarcal, a revelação divina era transmitida escrita e oralmente. A escrita já era conhecida na Palestina séculos antes de Moisés; a Arqueologia tem provado isto, inclusive tem encontrado inúmeras inscrições, placas, si-netes e documentos antediluvianos. O Cânon do Antigo Testamento, como o temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras, após 445 a.C. Entre os judeus, tem ele três divisões, as quais Jesus citou em Lucas 24.44 -LEI, PROFETAS, ESCRITOS. A divisão dos livros no câ­non hebraico é diferente da nossa. Consiste em .24 livros em vez dos nossos 39, isto porque são considerados um só livro, cada grupo dos seguintes:
-Os dois de Samuel....................................................... 1
-Os dois de Reis............................................................ 1
-Os dois de Crônicas..................................................... 1
-Os dois de Esdras e Neemias....................................... 1
-Os doze Profetas Menores........................................... 1
-Os demais livros do Antigo Testamento.................... 19
Total..........24
A disposição ou ordem dos livros no cânon hebraico é também diferente da nossa. Damos a seguir essa disposi­ção dentro da tríplice divisão do cânon, já mencionada (Lei, Profetas, Escritos). 1. LEI__________5 livros________Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. 52
2. PROFETAS _ 8 livros________Divididos em:
Primeiros Profetas: Jo­sué, Juizes, Samuel, Reis.
Ültimos Profetas: Isaías, Jeremias, Eze-quiel e os doze Profetas Menores.

3. ESCRITOS _ 11 livros________Divididos em:
Livros Poéticos: Sal­mos, Provérbios, Jó. Os Cinco Rolos: Can-tares, Rute, Lamenta­ções, Eclesiastes, Es­ter.
Livros Históricos: Da­niel, Esdras-Neemias, Crônicas.

Os Cinco Rolos eram assim chamados por serem sepa­rados, lidos anualmente em festas distintas:
- CANTARES, na Páscoa, em alusão ao Êxodo.
- RUTE, no Pentecoste, na celebração da colheita, em seu início.
- ESTER, na festa do Purim, comemorando o livra­mento de Israel da mão do mau Hamã.
- ECLESIASTES, na Festa dos Tabernáculos - festa de gratidão pela colheita.
- LAMENTAÇÕES, no mês de Abibe, relembrando a destruição de Jerusalém pelos babilônicos.
No cânon hebraico também os livros não estão em or­dem cronológica. Os judeus não se preocupavam com um sistema cronológico. Também pode haver nisto um plano divino.
A nossa divisão em 39 livros vem da Septuaginta, atra­vés da Vulgata Latina. A Septuaginta foi a primeira tradu­ção das Escrituras, feita do hebraico para o grego, cerca de 285 a.C. Também a ordem dos livros por assuntos, nas nos­sas Bíblias, vem dessa famosa tradução.
Nas palavras de Jesus, em Lucas 24.44, Ele chamou "Salmos" à última divisão do cânon hebraico, certamente porque esse livro era o primeiro dessa divisão (ver a página anterior). Segundo a nossa divisão, o Antigo Testamento começa com Gênesis e termina em Malaquias, porém, se­gundo a divisão do cânon hebraico, o primeiro livro é Gê­nesis e o último é Crônicas. Isto é visto claramente nas pa­lavras de Jesus em Mateus 23.35 - o caso de Abel está em Gênesis e o do filho de Baraquias está em Crônicas.

A Formação do Cânon do Antigo Testamento

O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espa­ço de mais de mil anos (+ - 1046 anos) - de Moisés a Es­dras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em cena em 445 a.C. Esdras não foi o último escritor na formação do cânon do Antigo Testamento; os últimos foram Neemias e Mala­quias, porém, de acordo com os escritos históricos, foi ele que, na qualidade de escriba e sacerdote, reuniu os rolos canônicos, ficando também o cânon encerrado em seu tem­po.
A chamada Alta Crítica tem feito uma devastação com seu modernismo e suas contradições no que concerne à for­mação, fontes de autenticidade do cânon, especialmente o do Antigo Testamento, mutilando quase todos os seus li­vros. Em resumo, a Alta Crítica é a discussão das datas e da autoria dos livros. Ela estuda a Bíblia do lado de fora, externamente, baseada apenas em fontes do conhecimento humano. Por sua vez, a Crítica Textual, também conheci­da por Baixa Crítica, estuda o texto bíblico, e este somen­te, e, ao lado da Arqueologia, vem alcançando um progres­so valioso, posto à disposição do estudante das Escrituras. Por exemplo, a teoria de que a escrita era desconhecida nos dias de Moisés já foi destruída. E de ano para ano aumen­tam os achados nas terras bíblicas, evidenciando e com­provando as narrativas e fatos do Antigo Testamento. Me­diante tais provas irrefutáveis, os homens estão tendo mais respeito pelo Livro Sagrado! Toda a Bíblia vem sendo con­firmada pela pá do arqueólogo e pelos eruditos em antigüi­dades bíblicas. Coisas que pareciam as mais incríveis são hoje aceitas por todos, sem objeções. O estudante das Es­crituras deve estar prevenido contra a Alta Crítica.
A formação do cânon foi gradual. Houve, originalmen­te, a transmissão oral, como se vê em Jó 15.18. Jó é tido como o livro mais antigo da Bíblia. Daremos em seguida a seqüência da formação gradual do cânon do Antigo Testa­mento. Convém ter em mente aqui que toda cronologia bíblica é apenas aproximada. Já no Novo Testamento, há precisão de muitos casos. Essa cronologia vai sendo atuali­zada à medida em que os estudos avançam e a Arqueologia fornece informes oficiais:

1. Moisés, cerca de 1491 a.C, começou a escrever o Pentateuco, concluindo-o por volta de 1451 a.C. (Números 33.2). Mais textos relacionados com Moisés e sua escrita do Pentateuco: Êxodo 17.14; 24.4,7; 34.27. As partes do Pentateuco anteriores a Moisés, como o relato da Criação, todo o livro de Gênesis e parte de Êxodo, ele escreveu, ou lançando mão de fontes existentes (ver 2.4; 5.1), ou por re­velação divina. Gênesis 26.5 dá a entender que nesse tem­po já havia "mandamentos, preceitos e estatutos" escritos. Há, é certo, passagens do Pentateuco que foram acrescen­tadas posteriormente, como: Êxodo 11.3; 16.35; Deutero-nômio 34.1-12.
2. Josué, sucessor de Moisés (1443 a.C), escreveu uma obra que colocou perante o Senhor (Js 24.26).
3. Samuel (1095 a.C), o último juiz e também profeta do Senhor, escreveu, pondo seus escritos perante o Senhor (1 Sm 10.25). Certamente "perante o Senhor" significa que seus escritos foram depositados na Arca do Concerto com os demais escritos sagrados lá depositados (Êx 25.21; Hb 9.4).
4. Isaías (770 a.C.) fala do "livro do Senhor" (Is 34.16), e "palavras do livro" (Is 29.18). São referências às Escritu­ras na sua formação.
5. Em 726 a.C, os Salmos já eram cantados (2 Cr 29.30). O fato aí registrado teve lugar nesse tempo.
6. Jeremias, cuja chamada deu-se em 626 a.C, regis­trou a revelação divina (Jr 30.1,2). Tal livro foi queimado pelo mau rei Jeoaquim, em 607 a.C, porém Deus ordenou que Jeremias preparasse novo rolo, o que foi feito mediante seu amanuense Baruque (Jr 36.1,2,28,32; 45.1).
7. No tempo do rei Josias (621 a.C), Hilquias achou o "Livro da Lei" (2 Rs 22.8-10).
8. Daniel (553 a.C.) refere-se aos "livros" (Dn 9.2). Eram os rolos sagrados das Escrituras de então.
1. Zacarias (520 a.C.) declara que os profetas que o pre­cederam falaram da parte do Espírito Santo (7.12). Não há aqui referência direta a escritos, mas há inferência. Zaca­rias foi o penúltimo profeta do Antigo Testamento, isto é, profeta literário.

10. Neemias, nos seus dias (445 a.C), achou o livro das genealogias dos judeus que já haviam regressado do exílio (7.5); certamente havia outros livros.
11. Nos dias de Ester, o Livro Sagrado estava sendo es­crito (Et 9.32).
12. Esdras, contemporâneo de Neemias, foi hábil escri-ba da lei de Moisés, e leu o livro do Senhor para os judeus já estabelecidos na Palestina, de regresso do cativeiro babilônico (Ne 8.1-5). Conforme 2 Macabeus e outros escritos judaicos, Esdras presidiu a chamada Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados, determinan­do, dessa maneira, o cânon das Escrituras do Antigo Tes­tamento. (Ver Esdras 7.10,14.) Essa Grande Sinagoga era um conselho composto de 120 membros que se diz ter sido organizado por Neemias, cerca de 410 a.C, sob a presidên­cia de Esdras. Foi essa entidade que reorganizou a vida re­ligiosa nacional dos repatriados e, mais tarde, deu origem ao Sinédrio, cerca de 275 a.C. A Esdras é atribuída a trípli­ce divisão do cânon, já estudada. Foi nesse tempo, isto é, no tempo de Esdras, que os samaritanos foram expulsos da comunidade judaica (Ne 13) levando consigo o Pentateu-co, que é até hoje a Bíblia dos samaritanos. Isto prova que o Pentateuco era escrito canônico.
13. Encontramos profeta citando outro profeta, do que se infere haver mensagem escrita. (Comparar Miquéias 4.1-3 com Isaías 2.2-4.)
14. Filo, escritor de Alexandria (30 a.C. - 50 d.C) pos­suía todo o cânon do Antigo Testamento. Em seus escritos ele cita quase todo o Antigo Testamento.
15. Josefo, o historiador judeu (37-100 d.C), contempo­râneo de Paulo, diz, escrevendo aos judeus, no livro "Con­tra Appion": "Nós temos apenas 22 livros, contando a his­tória de todo o tempo; livros em que nós cremos, ou segun­do geralmente se diz, livros aceitos como divinos. Desde os dias de Artaxerxes ninguém se aventurou a acrescentar, ti­rar ou alterar uma única sílaba. Faz parte de cada judeu, desde que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus". Josefo foi homem culto e judeu ortodoxo de li­nhagem sacerdotal. Foi governador da Galiléia e coman­dante militar nas guerras contra Roma. Presenciou a que­da de Jerusalém. Foi levado a Roma onde se dedicou a es­critos literários.
Ora, o Artaxerxes que ele menciona é o chamado Longí-mano, que reinou de 465-424 a.C. Isso coincide com o tem­po de Esdras e confirma as declarações de outras peças da literatura judaica que ensinam ter Esdras presidido a Grande Sinagoga que selecionou e preservou os rolos sagra­dos para a posterioridade. Josefo conta os livros do Antigo Testamento como 22 porque considera Juizes e Rute como 1 (um) livro; Jeremias e Lamentações também. Isto, para coincidir com o número de letras do alfabeto hebraico: 22.
16. Nos dias do Senhor Jesus, esse livro chamava-se Es­crituras (Mt 26.54; Lc 24.27,45; Jo 5.39), com as suas três conhecidas divisões: Lei, Profetas, Salmos (Lc 24.44). Era também chamado "A Palavra de Deus" (Mc 7.13; Jo 10.34,35). Note bem este título aplicado pelo próprio Se­nhor Jesus! Outro fato notável é a citação feita por Jesus em Mateus 23.35 que autentica todo o Antigo Testamento!
17. Os escritores do Novo Testamento reconhecem como canônicos os livros do Antigo Testamento, pois este é a miúdo citado naquele, havendo cerca de 300 referências diretas e indiretas. Os escritores do Novo Testamento refe­rem-se ao cânon do Antigo Testamento como sendo orácu­los divinos. (Compare Romanos 3.2; 2 Timóteo 3.16; Hebreus 5.12).
Cremos que, começando por Moisés, à proporção que os livros iam sendo escritos, eram postos no tabernáculo, jun­to ao grupo de livros sagrados. Esdras, como já dissemos, após a volta do cativeiro, reuniu os diversos livros e os colocou em ordem, como coleção completa. Destes originais eram feitas cópias para as sinagogas largamente dissemi­nadas.
Data do reconhecimento e fixação do cânon do Antigo Testamento
Em 90 d.C. Em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Is­rael, os rabinos, num concilio sob a presidência de Joha-nan Ben Zakai, reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento. Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros, especialmente dos "Escritos". Note-se po­rém que o trabalho desse concilio foi apenas ratificar aqui­lo que já era aceito por todos os judeus através de séculos. Jâmnia, após a destruição de Jerusalém (70 d.C.) tornou-se a sede do Sinédrio - o supremo tribunal dos judeus. Livros desaparecidos, citados no texto do Antigo Testa­mento
É digno de nota que a Bíblia faz referência a livros até agora desaparecidos. (Veja Números 21.14; Josué 10.13 com 2 Samuel 1.18; 1 Reis 11.41; 1 Crônicas 27.24; 29.29; 2 Crônicas 9.29; 12.15; 13.22; 26.22; 33.19.) São casos cujo segredo só Deus conhece. Talvez um dia eles venham à luz como o MSS de Qümram, Mar Morto, em 1947.

II. O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem o câ­non do Novo Testamento. Sua formação levou apenas duas gerações: quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do Novo Testamento estavam escritos. O que demorou foi o reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado e escrúpulo das igrejas de então, que exigiam provas conclu­dentes da inspiração divina de cada um desses livros. Ou­tra coisa que motivou a demora na canonização foi o surgi­mento de escritos heréticos e espúrios com pretensão de autoridade apostólica. Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento, fato idêntico ao acontecido nos tempos do encerramento do cânon do Antigo Testamento.
A ordem dos 27 livros do Novo Testamento, como te­mos atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em conta a seqüência cronológica. 58
Livros desaparecidos, citados no Novo Testamento. Há também livros mencionados no Novo Testamento até ago­ra desaparecidos (1 Co 5.9; Cl 4.16).
a. Ás Epístolas de Paulo. Foram os primeiros escritos do Novo Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Fo­ram escritas entre 52 e 67 d.C. Pela ordem cronológica, o primeiro livro do Novo Testamento é 1 Tessalonicenses, escrito em 52 d.C. 2 Timóteo foi escrita em 67 d.C, pouco antes do martírio do apóstolo Paulo em Roma. Esses livros foram também os primeiros aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de Paulo de "Escrituras" - título aplica­do somente à Palavra inspirada de Deus! (2 Pe 3.15,16).
b. Os Atos dos Apóstolos. Escrito em 63 d.C, no fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em Roma (At 28.30).
c. Os Evangelhos. Estes, a princípio, foram propagados oralmente. Não havia perigo de enganos e esquecimento porque era o Espírito Santo quem lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26). Os Sinóticos foram escritos entre 60 a 65 d.C. Marcos, em 65. Em 1 Timóteo 5.18, Paulo, escre­vendo em 65 d.C, cita Mateus 10.10. João foi escrito em 85. Entre Lucas e João foram escritas quase todas as epís­tolas. Note-se que Paulo chama Mateus e Lucas de "Escri­turas" ao citá-los em 1 Timóteo 5.18; o original dessa cita­ção está em Mateus 10.10 e Lucas 10.7.
d. As Epístolas, de Hebreus a Judas, foram escritas en­tre 68 e 90 d.C. Quanto à autoria de Hebreus, só Deus sabe de fato. Agostinho (354-430 d.C), bispo de Hipona, África do Norte, afirma que seu autor é Paulo. As igrejas orientais atribuíram-na a Paulo, mas as ocidentais, até o IV século recusaram-se a admitir isto. A opinião ainda hoje é a favor de Paulo. Orígenes (185-254) - o homem mais ilustre da igreja antiga, e, anterior a Agostinho - afirma: "Quem a escreveu só Deus sabe com certeza".
e. O Apocalipse. Escrito em 96 d.C, durante o reinado do imperador Domiciano.
Muitos livros antes de serem finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos. Houve muita relutância quanto às epístolas de Pedro, João e Judas bem como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente revela o cuidado da Igreja e também a responsabilidade que en­volvia a canonização. Antes do ano 400 d.C, todos os livros estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de Alexan­dria, publicou uma lista dos 27 livros canônicos, os mes­mos que hoje possuímos; essa lista foi aceita pelo Concilio de Hipona (África) em 393.
Data do reconhecimento e fixação do cânon do Novo
Testamento
Isso ocorreu no III Concilio de Cartago, em 397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento. Como se vê, houve um ama­durecimento de 400 anos.
A necessidade da mensagem escrita do Novo Testa­mento
A mensagem da Nova Aliança precisava ter forma es­crita como a da Antiga. Após a ascensão do Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte sem haver nada es­crito. Sua Bíblia era o Antigo Testamento. Com o correr do tempo, o grupo de apóstolos diminuiu.
O Evangelho espa­lhou-se. Surgiu a necessidade de reduzi-lo à forma escrita, para ser transmitido às gerações futuras. Era o plano de Deus em marcha. Muitas igrejas e indivíduos pediam ex­plicações acerca de casos difíceis surgidos por perturba­ções, falsas doutrinas, problemas internos, etc. (Ver 1 Coríntios 1.11; 5.1; 7.1.)
Os judeus cumpriram sua missão de transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A Igreja também cumpriu sua parte, transmitindo as palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as que Ele, pelo Espírito Santo inspirou aos escritores sacros. Ele mesmo disse: "Tenho muito que vos dizer... mas o Espírito de verdade... dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo 16.12,13).
Dão testemunho da existência de livros do Novo Testa­mento, em seu tempo, os seguintes cristãos primitivos, cu­jas vidas coincidiram com a dos apóstolos ou com os discí­pulos destes:
Clemente de Roma, na sua carta aos Coríntios, em 95 d.C. cita vários livros do Novo Testamento.
Policarpo, na sua carta aos Filipenses, cerca de 110 d.C, cita diversas epístolas de Paulo.
Inácio, por volta de 110, cita grande número de livros em seus escritos.
Justino Mártir, nascido no ano da morte de João, escre­vendo em 140 d.C, cita diversos livros do Novo Testamen­to.
Irineu (130-200 d.C), cita a maioria dos livros do Novo Testamento, chamando-os "Escrituras".
Orígenes (185-254 d.C), homem erudito, piedoso e via­jado, dedicou sua vida ao estudo das Escrituras. Em seu tempo, os 27 livros já estavam completos; ele os aceitou, embora com dúvida sobre alguns (Hebreus, Tiago, 2 Pe­dro, 2 e 3 João).

III. DATAS E PERÍODOS SOBRE O CÂNON EM GE­RAL

O Antigo Testamento foi escrito no espaço de mais ou menos 1.046 anos; de 1491 a 445 a.C, isto é, de Moisés a Esdras. A data 445 é apenas um ponto geral de referência cronológica quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento.


Se entrarmos em detalhes sobre o último li­vro do Antigo Testamento em ordem cronológica - Mala-quias, teremos uma variação de espaço de tempo como ve­remos a seguir. O Pentateuco, como já vimos, foi iniciado cerca de 1491 a.C. Malaquias, o último livro do Antigo Testamento por ordem cronológica, foi escrito após 445, no final do governo de Neemias e do sacerdócio de Esdras. Ora, isto foi a partir de 432, quando Neemias regressou a Jerusalém, procedente da Pérsia, para onde tinha ido em 434, a fim de renovar sua licença (Ne 13.6). É a partir des­se ano que Malaquias entra em cena. Quando ele escreveu, talvez Neemias não estivesse mais na Palestina, porque não o menciona em seu livro, como fazem Ageu e Zacarias, profetas seus antecessores, os quais mencionam Zorobabel e Josué, respectivamente, governador e sacerdote dos repa­triados. (Ver Zacarias capítulos 3 e 4 e Ageu 1.1.)
Malaquias não menciona nominalmente Neemias, ape­nas menciona o "Governador" (Ml 1.9). O próprio livro de Malaquias apresenta outras evidências internas que o co­locam de 432 em diante, como passamos a mostrar:
a. Em Malaquias 2.10-16, vê-se que os casamentos ilíci­tos que Esdras corrigira antes de Neemias, em 516 (Ed 9 e 10), estavam ocorrendo outra vez. Isto coincide com o esta­do descrito em Neemias 13, acontecido em 432.
b. Em Malaquias 3.6-12, havia pobreza no tesouro do templo. Situação idêntica à de Neemias 13, reinante em 432.
c. As referências de Malaquias 1.13; 2.17; 3.14, indicam que o culto levítico já havia sido restaurado há bastante tempo. Essa restauração temo-la ampliada em Neemias 12.44 ss.
Portanto, Malaquias deve ter sido escrito cerca de 432 a.C. Repetimos o que dissemos há pouco: a data 445 é ape­nas um ponto geral de referência quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento. Foi esse o ano em que Es­dras iniciou seu grande ministério entre os repatriados de Israel. Se descermos a detalhes quanto ao livro de Mala­quias, partiremos de 432. Malaquias é o último livro do Antigo Testamento, quanto à ordem cronológica. Quanto à disposição dos livros no corpo do cânon hebraico, o último livro é 2 Crônicas, como já mostramos.

O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o Apocalipse, foi escrito cerca de 96 d.C. Isto é, dá um total de 1.142 anos para a forma­ção de ambos os Testamentos (1.046 + 96). (Leve-se em conta que a cronologia bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham um sistema fixo de compu­tação de datas.)
Quando se fala do espaço total de tempo, que vai da es­crita do Pentateuco ao Apocalipse, é preciso intercalar os 400 anos do Período Interbíblico ocorrido entre os Testa­mentos, o que dará um total de 1.542 anos (1.046 + 96 + 400). Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de 16 séculos. Este é o período no qual o cânon foi completado. Noutras palavras: o cânon abrange na História um total de 1542 anos, porém foi escrito em 1.142 anos, aproximada­mente.

IV. OS LIVROS APÓCRIFOS

Nas Bíblias de edição da Igreja Romana, o total de li­vros é 73, porque essa igreja, desde o Concilio de Trento, em 1546, incluiu no cânon do Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canô-nicos, acrescentando, assim, ao todo, 11 escritos apócrifos.
A palavra "apócrifo" significa, literalmente, "escondi­do", "oculto", isto em referência a livros que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No sentido religioso, o termo significa "não genuíno", "espúrio", desde sua apli­cação por Jerônimo. Os apócrifos foram escritos entre Ma-laquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testa­mento, numa época em que cessara por completo a revela­ção divina; isto basta para tirar-lhes qualquer pretensão de canonicidade. Josefo rejeitou-os totalmente. Nunca fo­ram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reco­nhecidos pela igreja primitiva.
Jerônimo, Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens de valor dos primitivos cristãos, opuseram-se a eles na qualidade de livros inspirados. Apareceram a pri­meira vez na Septuaginta, a tradução do Antigo Testa­mento feita do hebraico para o grego. Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, em 170 d.C, seu Antigo Testamen­to foi traduzido do grego da Septuaginta e não do hebraico.

Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, no início do Século V (405 d.C), incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da Antiga Versão Latina, de 170, porque isso lhe foi ordenado, mas recomendou que esses livros não pode­riam servir como base doutrinária.
São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4 acréscimos a livros. Antes do Concilio de Trento, a Igreja Romana acei­tava todo, mas depois passou a aceitar apenas 11: 7 livros e os 4 acréscimos. A Igreja Ortodoxa Grega mantém os 14 até hoje.

Os 7 livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são:
1) TOBIAS (Após o livro canônico de Esdras)
2) JUDITE (após o livro de Tobias)
3) SABEDORIA DE SALOMÃO (após o livro canônico
4) ECLESIÁSTICO (após o livro de Sabedoria)
5) BARUQUE (após o livro canônico de Jeremias)
6) 1 MACABEU
7) 2 MACABEU (ambos, após o livro canônico de Ma-laquias)
Os 4 acréscimos ou apêndices são:
1) ESTER (a Ester, 10.4 - 16.24)
2) CÂNTICO DOS TRÊS SANTOS FILHOS (a Da­niel, 3.24-90)
3) HISTÓRIA DE SUZANA (a Daniel, cap. 13) e
4) BEL E O DRAGÃO (a Daniel, cap. 14)
Como já foi dito, dos 14 apócrifos, a Igreja Romana aceita 11 e rejeita 3, isto, após 1546 d.C. Os livros rejeita­dos são:
1) 3 ESDRAS
2) 4 ESDRAS E
3) A ORAÇÃO DE MANASSES
Os livros apócrifos de 3 e 4 Esdras são assim chamados porque nas Bíblias de edição católico-romana o livro de ESDRAS é chamado 1 ESDRAS; o de NEEMIAS, de 2 ESDRAS.

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 18 de abril de 1546, para combater o movimento da Reforma Protestan­te, então recente. Nessa época, os protestantes combatiam violentamente as novas doutrinas romanistas: do Purgató­rio, da oração pelos mortos, da salvação mediante obras, etc. A Igreja Romana via nos apócrifos bases para essas doutrinas, e, apelou para eles, aprovando-os como canôni-cos.
Houve prós e contras dentro da própria Igreja de Roma. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no cle­ro. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O cardeal Pallavaci-ni, em sua "História Eclesiástica", declara que em pleno concilio, 40 bispos, dos 49 presentes, travaram luta corpo­ral, agarrados às barbas e batinas uns dos outros... Foi nes­se ambiente "espiritual" que os apócrifos foram aprova­dos! A primeira edição da Bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do Papa Clemente VIII.
Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o Antigo e Novo Testamen­to; não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário e histórico. Isto continuou até 1629. A famo­sa versão inglesa de King James,de 1611, ainda os conser­vou. Após 1629, os evangélicos os omitiram de vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre o povo simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.
A aprovação dos apócrifos pela Igreja Romana foi uma intromissão dos católicos em assuntos judaicos, porque, quanto ao cânon do Antigo Testamento, o direito é dos ju­deus e não de outros. Além disso, o cânon do Antigo Testa­mento estava completo e fixado há muitos séculos.
Entre os católicos corre a versão de que as Bíblias de edição protestante são falsas. Quem, contudo, comparar a Bíblia editada pelos evangélicos com a editada pelos cató­licos há de concordar em que as duas são iguais, exceto na linguagem e estilo, que são peculiares a cada tradução. O que alegam contra a nossa Bíblia é que lhe faltam livros e partes de outros, mas essa falta é de livros e de parte de li­vros apócrifos, como mencionamos.

OUTROS LIVROS APÓCRIFOS

Há ainda outros escritos espúrios relacionados tanto com o Antigo como com o Novo Testamento. São chama­dos pseudo-epigráficos. Os do Antigo Testamento perten­cem à última parte do período interbíblico. Todos os livros dessa classe apresentam-se como tendo sido escritos por santos de ambos os Testamentos, daí seu título: pseudo-epigráficos. São na maioria, de natureza Apocalíptica. Nunca foram reconhecidos por nenhuma igreja.
Os principais do Antigo Testamento chegam a 26.


Os referentes ao período do Novo Testamento também nunca foram reconhecidos por ninguém como tendo cano-nicidade. São cheios de histórias ridículas e até indignas de Cristo e seus apóstolos. Essas histórias são muito explo­radas pela gente simplória e crédula. Desse período há de tudo: evangelhos, epístolas, apocalipse, etc.
Os principais somam 24.
Os que estudam a Bíblia devem estar acautelados do seguinte, concernente aos livros canônicos e apócrifos em geral:
• Aos nossos 39 livros canônicos do Antigo Testamento, os católicos os chamam de protocanônicos.
• Os 7 livros, que chamamos de apócrifos, os católicos os chamam de deuterocanônicos.
• Os livros que chamamos de pseudo-epigráficos, eles os chamam de apócrifos.
ATE A PROXIMA!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A BIBLIA COMO A PALAVRA DE DEUS

A Bíblia como Palavra de Deus

Em resumo, notam-se na Bíblia duas coisas: o Livro e a Mensagem. No capítulo anterior, estudamos a Bíblia como livro; agora a estudaremos como a palavra ou mensagem de Deus. O estudo da Bíblia tem por finalidade precípua o conhecimento de Deus. Isso é visto desde o primeiro versí­culo dela, do qual se nota que tudo tem o seu centro em Deus. Portanto, a causa motivante de ensinar a Bíblia aos outros deve ser a de levá-los a conhecer a Deus. Se chegar­mos a conhecer o Livro e falharmos em conhecer a Deus, erramos no nosso propósito, e também o propósito de Deus por meio do seu Livro seria baldado.
Que as Escrituras são de origem divina é assunto resol­vido. Deus, na sua palavra, é testemunha concernente-mente a si mesmo. Quem tem o Espírito de Deus deposita toda a confiança nela como a Palavra de Deus, sem exigir provas nem argumentos. Portanto, sob o ponto de vista le­gal, a Bíblia não pode estar sujeita a provas e argumentos. Apresentamos algumas provas da Bíblia como a Palavra de Deus, não para crermos que ela é divina, mas porque cremos que ela é divina. É satisfação para nós, crentes na Bíblia, podermos apresentar evidências externas daquilo que cremos internamente, no coração.
O presente século é caracterizado por ceticismo, racio-nalismo, materialismo e outros "ismos" sem conta. A Bíblia, em meio a tais sistemas, sempre sofre grandes ameaças. Até há pouco tempo, a luta do Diabo visava des­truir o próprio Livro, mas vendo que não conseguia isso, mudou de tática e agora procura perverter a mensagem do Livro. Seitas e doutrinas falsas proliferam por toda parte coadjuvadas pelo fanatismo e ignorância prevalecentes em muitos lugares. Nossa crença na Bíblia deve ser convicta, sólida e fundamental; não deve ser jamais um eco ou refle­xo dos outros. Se alguém lhe perguntar, leitor: "Por que você crê que a Bíblia é a Palavra de Deus?" - saberá você responder adequadamente?

Muitos crentes têm sua crença na Bíblia desde a infância, através dos pais, etc, mas nun­ca fizeram um estudo profundo e acurado para verificarem a realidade da origem divina da Bíblia. Apresentamos ago­ra algumas provas da origem divina da Bíblia, as quais evi­denciam esse Livro como a Palavra de Deus.

I. A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA (1ª prova)

O que diferencia a Bíblia de todos os demais livros do mundo é a sua inspiração divina (Jó 32.8; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). É devido à inspiração divina que ela é chamada a Palavra de Deus. (Ver 2 Timóteo 3.16 no original.) - Que vem a ser "inspiração divina"? - Para melhor compreen­são, vejamos primeiro o que é inspiração. No sentido fisio­lógico, é a inspiração do ar para dentro dos pulmões. É pela inspiração do ar que temos fôlego para falar. Daí o di­tado "Falar é fôlego". Quando estamos falando, o ar é ex­pelido dos pulmões: é o que chamamos de expiração. Pois bem, Deus, para falar a sua Palavra através dos escritores da Bíblia, inspirou neles o seu Espírito! Portanto, inspira­ção divina é a influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura de erro.

A própria Bíblia reivindica a si a inspiração de Deus, pois a expressão "Assim diz o Senhor", como carimbo de autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros; isso além de outras expressões equivalentes. Foi o Espírito de Deus quem falou através dos escritores. (Ver 2 Crônicas 20.14; 24.20; Ezequiel 11.5). Deus mesmo dá tes­temunho da sua Palavra. (Ver Salmo 78.1; Isaías 51.15,16; Zacarias 7.9,12). Os escritores, por sua vez, evidenciam ter inspiração divina. (Ver 2 Reis 17.13; Neemias 9.30; Mateus 2.15; Atos 1.16; 3.21; 1 Coríntios 2.13; 14.37; Hebreus 1.1; 2 Pedro 3.2.)

Teorias falsas da inspiração da Bíblia

Quanto à inspiração da Bíblia, há várias teorias falsas, que o estudante não deve ignorar. Umas são muito antigas, outras bem recentes, e ainda outras estão surgindo por aí afora. Nalgumas delas, para maior confusão, a verdade vem junto com o erro, e muitos se deixam enganar. Veja­mos as principais teorias falsas da inspiração da Bíblia.

a. A teoria da inspiração natural, humana, ensina que a Bíblia foi escrita por homens dotados de gênio e força inte­lectual especiais, como Milton, Sócrates, Shekespeare, Camões, Rui, e inúmeros outros. Isto nega o sobrenatural. É um erro fatal de conseqüências imprevisíveis para a fé. Os escritores da Bíblia reivindicam que era Deus quem fa­lava através deles (2 Sm 23.2 com At 1.16; Jr 1.9 com Ed 1.1; Ez 3.16,17; At 28.25, etc.)

b. A teoria da inspiração divina comum ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje nos vem quando oramos, pregamos, cantamos, ensinamos, an­damos em comunhão com Deus, etc. Isto é errado, porque a inspiração comum que o Espírito nos concede:
a) Admite gradação, isto é, o Espírito Santo pode conceder maior co­nhecimento e percepção espiritual ao crente, à medida que este ore, se consagre e procure a santificação, ao passo que a inspiração dos escritores na Bíblia não admite graus. O escritor era ou não era inspirado,
b) A inspiração comum pode ser permanente (1 Jo 2.27), ao passo que a dos escri­tores da Bíblia era temporária. Centenas de vezes encon­tramos esta expressão dos profetas: "E veio a mim a pala­vra do Senhor", indicando o momento em que Deus os to­mava para transmitir a sua mensagem.
c. A teoria da inspiração parcial ensina que algumas partes da Bíblia são inspiradas, outras não; que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas apenas contém a Palavra de Deus. - Se esta teoria fosse verdadeira, estaríamos em grande confusão, por que quem poderia dizer quais as par­tes inspiradas e quais as não-inspiradas? A própria Bíblia refuta isso em 2 Timóteo 3.16 (ARA). Também em Marcos 7.13, o Senhor aplicou o termo "A Palavra de Deus" a todo o Antigo Testamento. (Quanto ao Novo Testamento, ver João 16.12 e Apocalipse 22.18,19.)
d. A teoria do ditado verbal ensina a inspiração da Bíblia só quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e estilo do escritor, o que é patente em cada li­vro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fa­tos conhecidos (Lc 1.4). Esta falsa teoria faz dos escritores verdadeiras máquinas, que escreveram sem qualquer no­ção de mente e raciocínio. Deus não falou pelos escritores como quem fala através de um alto-falante. Deus usou as faculdades mentais deles.
e. A teoria da inspiração das idéias ensina que Deus inspirou as idéias da Bíblia, mas não as suas palavras. Es­tas ficaram a cargo dos escritores. - Ora, o que é a palavra na definição mais sumária, senão "a expressão do pensa­mento"? Tente o leitor agora mesmo formar uma idéia sem palavras... Impossível! Uma idéia ou pensamento inspira­do só pode ser expresso por palavras inspiradas. Ninguém há que possa separar a palavra da idéia. A inspiração da Bíblia não foi somente "pensada"; foi também "falada". (Ver a palavra "falar" em 1 Coríntios 2.13; Hebreus 1.1; 2 Pedro 1.21.) Isto é, as palavras foram também inspiradas (Ap 22.19).
Dum modo muito maravilhoso, vemos a inspi­ração das palavras da Bíblia, não só no emprego da pala­vra exata, mas também na ordem em que elas são empre­gadas; no original, é claro. Apenas três exemplos: Jó 37.9 e 38.19 (a palavra precisa); 1 Coríntios 6.11 (ordem das pala­vras no seu emprego).

A teoria correta da inspiração da Bíblia é a chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal. Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espíri­to de Deus que os capacitava. Afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, po­rém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus. Explicar como Deus agiu no homem, isso é difícil! Se, no ser huma­no, o entrosamento do espírito com o corpo é um mistério inexplicável para os mais sábios, imagine-se o entrosamen­to do Espírito de Deus com o espírito do homem! Ao acei­tarmos Jesus como Salvador, aceitamos também a Palavra escrita como a revelação de Deus. Se o aceitamos, aceita­mos também a sua Palavra. A inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso, nem os mesmos escritores, nem qualquer servo de Deus pode ser chamado inspirado no mesmo sentido.
Diferença entre "revelação" e "inspiração" (no tocante à Bíblia)
Revelação é a ação de Deus pela qual Ele dá a conhecer ao escritor coisas desconhecidas, o que o homem, por si só, não podia saber.

Exemplos: Daniel 12.8; 1 Pedro 1.10,11. (Quanto à inspiração, já foi dada a sua definição no início deste capítulo.) A inspiração nem sempre implica em reve­lação. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem toda ela foi dada por revelação. Lucas, por exemplo, foi inspira­do a examinar trabalhos já conhecidos e escrever o Evan­gelho que traz o seu nome. (Ver Lucas 1.1-4). O mesmo se deu com Moisés, que foi inspirado a registrar o que presen­ciara, como relata o Pentateuco.

Exemplos de partes da Bíblia que foram dadas por re­velações:

a. Os primeiros capítulos de Gênesis. Como escreveria Moisés sobre um assunto anterior a si mesmo? Se não foi revelação, deve ter lançado mão de escritores existentes. Há uma antiga tradição hebraica que declara isto.
b. José interpretando os sonhos de Faraó (Gn 40.8; 41.15,16,38,39).
c. Daniel declarando ao rei Nabucodonosor o sonho que este havia esquecido, e em seguida interpretando-o (Dn 2.2-7,19,28-30).
d. Os escritos do apóstolo Paulo. Ora, Paulo não andou com o Senhor Jesus. Ele creu por volta do ano 35 d.C, po­rém, em suas epístolas, conduz-nos a profundezas de ensino doutrinário sobre a Igreja, inclusive no que tange à es-catologia. Assuntos de primeira grandeza sobre a regenera­ção, justificação, paracletologia, ressurreição, glorificação, etc, são abordados por ele. - Como teve Paulo conheci­mento de tudo isso? Ele mesmo no-lo diz em Gálatas 1.11,12 e Efésios 3.3-7: por revelação! Nos seus escritos, há passagens onde essa revelação é bem patente, como em 1 Coríntios 11.23-26, onde ele diz: "Porque eu recebi do Se­nhor o que também vos ensinei..." Por sua vez, o capítulo 15 de 1 Coríntios, também por ele escrito, é a passagem mais profunda e completa da Bíblia sobre a ressurreição. Diferença entre declarações da Bíblia e registro de de­clarações
A Bíblia não mente, mas registra mentiras que outros proferiram. Nesses casos, não é a mentira do registro que foi inspirada, e sim o registro da mentira. A Bíblia registra que o insensato diz no seu coração "Não há Deus" (SI 14.1). Esta declaração "Não há Deus" não foi inspirada, mas inspirado foi o seu registro pelo escritor.

Outro exem­plo marcante é o do caso da morte do rei Saul. Este morreu lançando-se sobre sua própria espada (1 Sm 31.4); no en­tanto, o amalequita que trouxe a notícia de sua morte, mentiu, dizendo que fora ele quem matara Saul (2 Sm 1.6-10). Ora, o que se deu aí foi apenas o registro da declaração do amalequita, mas não significa que a Bíblia minta. Há muitos desses casos que os inimigos da Bíblia aproveitam para desfazer dos santos escritos. A Bíblia registra, inclusi­ve, declarações de Satanás. Suas declarações não foram inspiradas por Deus, e sim o registro delas. Sansão mentiu mais de uma vez a Dalila; a Bíblia não abona isso, apenas registra o fato (Jz cap. 16). Durante a leitura bíblica, é pre­ciso verificar: quem está falando, para quem está falando, para que tempo está falando, e em que sentido está falan­do.

II. A PERFEITA HARMONIA E UNIDADE DA BÍBLIA (2ª prova)

A existência da Bíblia até os nossos dias só pode ser ex­plicada como um milagre. Há nela 66 livros, escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses homens, na maior parte dos casos, não se conhece­ram. Viveram em lugares distantes de três continentes, es­crevendo em duas línguas principais. Devido a estas cir­cunstâncias, em muitos casos, os autores nada sabiam sobre o que já havia sido escrito. Muitas vezes um escritor iniciava um assunto e, séculos depois, um outro completa­va-o, com tanta riqueza de detalhes, que somente um livro vindo de Deus podia ser assim. Uma obra humana, em tais circunstâncias, seria uma babel indecifrável!

Consideremos alguns pormenores dessa harmonia.

a. Os escritores foram homens de todas as atividades da vida humana, daí a diversidade de estilos encontrados na Bíblia. Moisés foi príncipe e legislador, além de general. Josué foi um grande comandante. Davi e Salomão, reis e poetas. Isaías, estadista e profeta. Daniel, chefe de estado. Pedro, Tiago e João, pescadores. Zacarias e Jeremias, sa­cerdotes e profetas. Amos era homem do campo: cuidava de gado. Mateus, funcionário público. Paulo, teólogo e eru­dito, e assim por diante. Apesar de toda essa diversidade, quando examinamos os escritos desses homens, sob tantos estilos diferentes, verificamos que eles se completam, tra­tando de um só assunto!
O produto da pena de cada um deles não gerou muitos livros, mas um só livro, poderoso e coerente!
b. As condições. Não houve uniformidade de condições na composição dos livros da Bíblia. Uns foram escritos na cidade, outros no campo, no palácio, em ilhas, em prisões e no deserto. Moisés escreveu o Pentateuco nas solitárias pa­ragens do deserto. Jeremias, nas trevas e sujidade da mas-morra. Davi, nas verdes colinas dos campos. Paulo escre­veu muitas de suas epístolas nas prisões. João, no exílio, na ilha de Patmos. Apesar de tantas diferentes condições, a mensagem da Bíblia é sempre única. O pensamento de Deus corre uniforme e progressivo através dela, como um rio que, brotando de sua nascente, vai engrossando e au­mentando suas águas até tornar-se caudaloso. A mensa­gem da Bíblia tem essa continuidade maravilhosa!
c. Circunstâncias. As circunstâncias em que os 66 livros foram escritos também são as mais diversas. Davi, por exemplo, escreveu certas partes de seus trabalhos no calor das batalhas; Salomão, na calma da paz... Há profetas que escreveram em meio a profunda tristeza, ao passo que Jo­sué escreveu durante a alegria da vitória. Apesar da plura­lidade de condições, a Bíblia apresenta um só sistema de doutrinas, uma só mensagem de amor, um só meio de sal­vação. De Gênesis a Apocalipse há uma só revelação, um só pensamento, um só propósito.
d. A razão dessa harmonia e unidade. Se a Bíblia fosse um livro puramente humano, sua composição seria inex­plicável. Suponhamos que 40 dos melhores escritores atuais, providos de todo o necessário, fossem isolados uns dos outros, em situações diferentes, cada um com a missão de escrever uma obra sua. Se no final reuníssemos todas as obras, jamais teríamos um conjunto uniforme. Seria a pior miscelânea imaginável! - Concorda o leitor? Pois bem, imagine isto acontecendo nos antigos tempos em que a ve­lha Bíblia foi escrita... A confusão seria muito maior! Não havia meios de comunicação, nem facilidades materiais, mas dificuldades de toda a sorte. IMAGINE O QUE SE­RIA A BÍBLIA SE NÃO FOSSE A MÃO DE DEUS!

Não há na Bíblia contradição doutrinária, histórica ou científica. Uma coisa maravilhosa é que esta unidade não jaz apenas na superfície; quanto mais profundo for o estu­do, tanto mais ela aparecerá. Há, é certo, na Bíblia, apa­rentes contradições.
Seus inimigos sustentam haver erros nela em grande quantidade. Mas o que acontece é que es­tando alguém com uma trave no olho (Mt 7.3-5), sua visão fica deformada. Um espírito farisaico, cepticista e orgulho­so, sempre achará falhas na Bíblia, geralmente porque já se dirige a ela com idéias preconcebidas e falsas.
Há uma história interessante de uma senhora que esta­va falando das roupas amarelas que sua vizinha punha a secar no varal, porém, na semana seguinte, lavando ela sua vidraça e olhando para fora, disse - a vizinha mudou muito; suas roupas estão alvas agora... Mas eram suas vi­draças que estavam sujas! A diferença estava aí.
Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre do lado humano, como tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçada, má compreensão de quem estuda, falsa aplicação aos sentidos do texto, etc. Portanto, quan­do encontrarmos na Bíblia um trecho discrepante, NÃO PENSEMOS LOGO QUE É ERRO! Saibamos refletir como Agostinho, que disse: "Num caso desses, deve haver erro do copista, tradução mal feita do original, ou então -sou eu mesmo que não consigo entender..."
Quanto à unidade física da Bíblia, ninguém sabe ao certo como os 66 livros se encontraram e se agruparam num só volume. Isto foi obra de Deus! Sabemos que os es­critores não escreveram os 66 livros de uma vez, nem em um só lugar, nem com o objetivo de reuni-los num só volu­me, mas em intervalos, durante 16 séculos, e, em lugares que vão da Babilônia a Roma!
Finalizando o estudo desta prova da Bíblia como Pala­vra de Deus, reiteramos que a perfeita harmonia desse li­vro é, para a mente humilde e sincera, uma prova incon­testável da sua origem divina. É uma prova de que uma ú-nica mente via tudo e guiava os escritores.
Suponhamos que, na cidade onde moramos, um edifí­cio fosse ser construído com pedras a serem preparadas em várias partes do Brasil. Chegadas as pedras, ao serem colo­cadas, encaixavam-se perfeitamente na construção, satis­fazendo todos os detalhes e requisitos da planta. - Que di­ria o leitor se tal fato acontecesse? - Que apenas um arqui­teto dirigira os operários nas diversas pedreiras, dando mi­nuciosas instruções a cada um deles. É o caso da Bíblia - O Templo da verdade de Deus.
As "pedras" foram prepara­das em tempos e lugares remotos, mas ao serem postas juntas, combinaram-se perfeitamente, porque atrás de cada elemento humano estava em operação a mente infini­ta de Deus!

III. A APROVAÇÃO DA BÍBLIA POR JESUS (3ª Prova)

Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus; crêem que Ele fez milagres; crêem em sua ressurreição e ascenção, mas... não crêem na Bíblia! Essas pessoas precisam conhecer a atitude e a posição de Jesus quanto à Bíblia. Ele leu-a (Lc 4.16-20); ensinou-a (Lc 24.27); chamou-a "A Palavra de Deus" (Mc 7.13); e cumpriu-a (Lc 24.44).
A última referência citada (Lc 24.44) é muito maravi­lhosa, porque aí Jesus põe sua aprovação em todas as Es­crituras do Antigo Testamento, pois Lei, Salmos e Profetas eram as três divisões da Bíblia nos dias do Novo Testa­mento.
Jesus também afirmou que as Escrituras são a verdade (Jo 17.17). Viveu e procedeu de conformidade com elas (Lc 18.31). Declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Mc 12.35,36). No deserto, ao derrotar o grande ini­migo, fê-lo com a Palavra de Deus (Dt 6.13,16; 8.3).

Nota - O título "Sagradas Escrituras" ou "Escrituras" pode vir no plural ou singular, porém sempre com letra maiúscula. Exemplos no plural: Mateus 21.42; Lucas 24.32; João 5.39. No singular: João 7.38,42; 19.36,37; 20.9; Atos 8.32. No singular e com minúscula refere-se a uma passagem particular: Marcos 12.10; Lucas 4.21; Atos 1.16 -(todas no ARC: a ARA põe tudo em maiúsculas). "Sagra­das Escrituras", ou "A Sagrada Escritura", é o nome sa­grado da revelação divina, assim como "Testamento" é o seu nome de compromisso, e "Bíblia", seu nome como li­vro.
O leitor poderá dizer: - "Tratamos do Antigo Testa­mento, e, do Novo?" - Bem, quanto ao Novo Testamento, em João 14.26, o Senhor Jesus, antecipadamente, pôs o selo de sua aprovação divina ao declarar: "O Espírito San­to... vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito". Assim sendo, o que os apósto­los ensinaram e escreveram não foi a recordação deles mes­mos, mas, a do Espírito Santo.

No mesmo Evangelho, capítulo 16.13,14, o Senhor disse ainda que o Espírito San­to os guiaria em "toda a verdade"; portanto, no NT temos a essência da revelação divina. No versículo 12 do citado capítulo, Jesus mostrou que seu ensino aqui foi parcial, de­vido à fraqueza dos discípulos, mas ao mesmo tempo de­clarou que o ensino deles, sob a ação do Espírito Santo, se­ria completo e abrangeria toda a esfera da verdade divina.
Diante de tudo que acabamos de dizer, quem aceita a autoridade de Cristo, aceita também as Escrituras como de origem divina, tendo em vista o testemunho que delas dá o Senhor Jesus. - Quem pode apresentar argumentos? 40

IV. O TESTEMUNHO DO ESPIRITO SANTO DEN­TRO DO CRENTE, QUANTO À BÍBLIA (4ª prova)

Em cada pessoa que aceita Jesus como Salvador, o Espírito Santo põe em sua alma a certeza quanto à autori­dade da Bíblia. É uma coisa automática. Não é preciso ninguém ensinar isso. Quem de fato aceita Jesus, aceita também a Bíblia como a Palavra de Deus, sem argumen­tar. Em João 7.17, o Senhor Jesus mostra como podemos ter dentro de nós o testemunho do Espírito Santo quanto à autoria divina da Bíblia: "Se alguém quiser fazer a vonta­de de Deus..." Assim como o Espírito Santo testifica que nós, os crentes, somos filhos de Deus (Rm 8.16), testifica-nos também que a Bíblia é a mensagem de Deus para nós mesmos. Esse testemunho do Espírito Santo no interior do crente, no tocante às Escrituras, é superior a todos os argu­mentos humanos! É aqui que labora em erro a Igreja Ro­mana, ao afirmar que, para se crer na origem divina da Bíblia é preciso decisão da referida igreja, como se a verda­de de Deus dependesse da opinião de homens, como bem o disse o teólogo e reformador Calvino.

V. O CUMPRIMENTO FIEL DAS PROFECIAS DA BÍBLIA (5ª prova)

O Antigo Testamento é um livro de profecias (Mt 11.13). O Novo Testamento, em grande parte, também o é. Referimo-nos aqui, evidentemente às profecias no sentido preditivo.

Há, no Antigo Testamento, duas classes dessas profecias: as literais, e as expressas por tipos e símbolos. Destas há inúmeras no Tabernáculo (Hb 10.1). Muitas profecias da Bíblia já se cumpriram no passado, em senti­do parcial ou total; muitas outras cumprem-se em nossos dias, e muitas outras ainda se cumprirão no futuro. As pro­fecias sobre o Messias, proferidas séculos antes de seu nas­cimento, cumpriram-se literalmente e com toda a precisão quanto a tempo, local e outros detalhes. Por exemplo: Gê­nesis 49.10; Salmo 22; Isaías 7.14; 53 (todo); Daniel 9.24-. 26; Miquéias 5.2; Zacarias 9.9 etc. Outro ponto saliente nas profecias bíblicas é o referente à nação israelita. A Bíblia prediz sua dispersão, seu retorno, sua restauração e seu progresso material e espiritual. Exemplos: Levítico 26.14,32,33; Deuteronômio 4.25-27; 28.15,64; Isaías 60.9; 61.6; 66.8; Jeremias 23.3; 30.3; Ezequiel 11.17; 36; 37.
Em Ezequiel 37, está uma das mais claras profecias sobre o despertamento nacional e espiritual do povo israe­lita. O cumprimento dessas profecias está em marcha pe­rante nossos olhos. Há inúmeros outros casos de famosas profecias bíblicas. Ciro, o monarca persa, Deus chamou-o pelo nome através do profeta Isaías, 150 anos antes do seu nascimento! (Is 44.28). Josias, rei de Judá, também foi chamado pelo nome 300 anos antes do seu nascimento. (Ver 1 Reis 13.2 com 2 Reis 23.15-18.) Os últimos quatro impérios mundiais - Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, são admiravelmente descritos muitos anos antes de eles surgi­rem no horizonte do cenário mundial. (Ver Daniel capítulo 2 e 7). Também, com uma precisão incrível, a história de toda a raça humana é descrita em forma profética (isto é, a história no sentido natural), em Gênesis 9.25-27.
O cumprimento contínuo das profecias da Bíblia é uma prova de sua origem divina. O que Deus disse sucederá (Jr 1.12). Graças a Deus por tão sublime e glorioso Livro!

VI. A INFLUÊNCIA BENÉFICA DA BÍBLIA NAS PES­SOAS E NAÇÕES (6? prova)

O mundo hoje é melhor devido à influência da Bíblia. Mesmo os próprios inimigos da Bíblia admitem que ne­nhum livro em toda história da humanidade teve tamanha influência para o bem; eles reconhecem o seu efeito sadio na civilização. Milhões de pessoas antes de conhecerem, amarem e obedecerem a este Livro, eram escravos do peca­do, dos vícios, da idolatria, do medo, das superstições, da feitiçaria. Eram mundanas, vaidosas, iracundas, descon­fiadas, etc. Mas, depois que abraçaram este Livro, foram por ele transformadas em criaturas salvas, alegres, liber­tas, felizes, santificadas. Abandonaram todo o mal em que antes viviam e tornaram-se boas pessoas para a família, para a sociedade e para a pátria. Mostrem-me, se for possí­vel, outro livro com o poder de influenciar e transformar beneficamente, não só indivíduos, mas regiões e nações in­teiras, conduzindo-os a Deus!
Disse o grande comentador devocional da Bíblia, Dr. F. B. Meyer: "O melhor argumento em favor da Bíblia é o ca­ráter que ela forma".
Vejamos um pouco da condição moral de alguns povos sem a Bíblia:
a. Os gregos. Dentre os povos antigos, os gregos foram os mais cultos e doutos nas letras. Seus filósofos e literatos foram os maiores de todos os tempos. No entanto, a grande cultura grega e seus livros sem conta, nunca detiveram a onda de licenciosidade, impureza e idolatria que sempre prevaleceu no mundo grego. Em Corinto, por exemplo, ha­via, no templo de Vênus, mil mulheres devotas que tra­ziam ao seu tesouro os lucros de sua impureza. Sócrates fa­zia da moral o assunto único da sua filosofia, e mesmo as­sim, recomendava a adivinhação, e ele próprio se entrega­va à fornicação. Platão, o grande discípulo de Sócrates, en­sinava que mentir era coisa honrosa. A sabedoria deles e seus milhares de livros não os conduziu à salvação desses e outros males. Estes dois, Platão e Sócrates, foram homos­sexuais ativos, como relata o historiador romano Suetônio.

b. Os romanos foram os mais famosos como legislado­res, guerreiros, oradores e poetas. Sua legislação, em parte, era boa, porque em parte veio de Moisés (o maior legisla­dor). Muitas das leis brasileiras vêm das leis portuguesas, que, por sua vez, vieram das romanas, hauridas, como já dissemos, do Pentateuco. No entanto, o padrão dos costu­mes e da moral, foi dos mais baixos em Roma, como bem registra a História. Mesmo entre as famílias abastadas, ci­vilizadas e regularmente constituídas, as descobertas ar­queológicas, gravuras e descrições revelam fatos que o re­cato proíbe enumerar. Cícero, o maior orador romano, um espécime de excelência dentre os romanos, defende a forni­cação, e a recomenda, e, por fim, pratica o suicídio. Catão, o Censor, tido como o mais perfeito modelo de virtude, foi réu da prostituição e embriaguez; advogou, e, mais tarde, praticou o suicídio.

Júlio César tinha encontros amorosos com o rei Nico-medes da Bitínia. O imperador Calígula (37-41 d.C.) viveu amasiado com sua irmã Drusila (Suetônio). Nero, o fami­gerado imperador romano, viveu com sua irmã Agripina. Viveu depois amasiado com dois eunucos; o primeiro cha­mado Sporus, e o segundo Doríphorus (Suetônio). Messali-na, a imperatriz, esposa de Cláudio, imperador de 41-54 d.C. foi extremamente depravada (Juvenal).

Se isto era assim entre a classe alta, o que não aconte­cia na classe baixa?

É somente a Bíblia que nos faz ser diferentes desses po­vos. Sem ela, nós nos tornaríamos semelhantes a eles. O nosso mundo orgulha-se hoje de ter atingido os píncaros do saber e de haver produzido os mais importantes e melhores livros, entretanto a onda de pecado e mal avassala a hu­manidade como um rolo compressor. Comparemos tudo isso com o caráter, a formação, a personalidade ideal dos verdadeiros seguidores da Bíblia!
Todo homem que vive a Bíblia, pautando sua vida pe­los seus santos ensinos, também ama a Deus e vive para Ele. Por outro lado, todos os que se opõem à Bíblia e rejei­tam sua autoria divina, vivem para si mesmos; são obsti­nados, cruéis, desumanos, instáveis, prepotentes; ímpios, acima de tudo. Em suma, quanto mais o homem crê em Deus, mais aproxima-se da Bíblia.

É como disse certa se­nhora crente a um moço, nos Estados Unidos: "Este livro te guardará do pecado, ou o pecado te guardará deste li­vro!"

Quanto à educação, não há filosofia educacional segura se não for alicerçada sobre os ensinos fundamentais da Bíblia. A educação moderna reconhece que a formação do caráter é a suprema finalidade de seu trabalho, mas, isto não irá muito longe, a menos que se reconheça que a única base do verdadeiro caráter é a Bíblia. Fé na Bíblia é a maior força de qualquer moço ou moça na prossecução da vida e da carreira educacional. A mocidade precisa saber disso. A tragédia é que, professores aos milhares em todo o mundo, saturados e narcortizados por falsa dialética e filo­sofia vil, desencaminham os jovens, desde a mais tenra idade. Saiba-se, portanto, que a Bíblia é o livro mais ma­ravilhoso do mundo, e que seus ensinos tão simples e ao mesmo tempo profundos, servirão de guia para a sua vida mais feliz e mais bem sucedida, sendo sempre a base segu­ra e única para encontrarmos o nosso Criador na eternida­de.

Considerando tudo que acabamos de dizer quanto à in­fluência poderosa da Bíblia e seu poder transformador, evidenciado tanto nos indivíduos como em nações inteiras, perguntamos: - Donde vem tal livro, senão de Deus?

VII. A BÍBLIA É SEMPRE NOVA E INESGOTÁVEL (7ª prova)

O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo o mais moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la... Se a Bíblia fosse de origem humana, é claro que em dois milênios, ela de há muito estaria desatualizada. Uma vez que o homem mo­derno se jacta de tanto saber, era de esperar que já tivesse produzido uma Bíblia melhor! Realmente isto é uma evi­dência da Bíblia como a Palavra de Deus! Tendo em vista o vasto progresso alcançado pelo homem, especialmente nos dois últimos séculos, só podemos dizer que, se ele não produziu um livro melhor, para substituir a Bíblia, é por­que não pôde. Muitos também reclamam por não ser estri­tamente científica a linguagem da Bíblia. Ora, a Bíblia trata primeiramente da redenção da humanidade.
Além disso, termos científicos mudam ou ficam para trás, à me­dida que a ciência avança. Sempre temos termos novos na Ciência.
A Bíblia nunca se torna um livro antigo, apesar de ser cheio de antigüidades. Ela é tão hodierna como o dia de amanhã. Sua mensagem milenar tanto satisfaz a criança como o ancião encanecido. A Bíblia pode ser lida vezes sem conta sem se poder encontrar suas profundezas e sem que o leitor perca por ela o interesse. - Acontece isso com os demais livros?! Quem já se cansou de ler Salmo 23; João 3.16; Romanos 12; 1 Coríntios 12? É que cada vez que le­mos essas passagens (para não falar nas demais), descobri­mos coisas que nunca tínhamos visto antes. Depois de qua­se 2.000 anos de escrito o último livro da Bíblia, a impressão que se tem é que a tinta do original está ainda secan­do...
Até o fim dos tempos o velho e precioso Livro continua­rá a ser a resposta às indagações da humanidade a respeito de Deus e do homem. Nos seus milhares de anos de leitura, a Bíblia nunca foi esgotada por ninguém.

VIII. A BÍBLIA É FAMILIAR A CADA POVO OU INDI­VÍDUO EM QUALQUER LUGAR (8ª prova)

Através do mundo inteiro, qualquer crente, ao ler a Bíblia, recebe sua mensagem como se esta fora escrita di­retamente para ele. Nenhum crente tem a Bíblia como li­vro alheio, estrangeiro, como acontece aos demais livros traduzidos. Todas as raças consideram a Bíblia como pos­sessão sua. Por exemplo, ao lermos "O Peregrino" sabemos que ele é inglês; ao lermos "Em Seus passos que Faria Je­sus?" sabemos que é norte-americano, porque seus autores são oriundos desses países. - É assim com a Bíblia? - Não! Nós a recebemos como "nossa". Isso acontece em qualquer país onde ela chega. Ninguém tem a Bíblia como livro "dos outros". Isto prova que ela procede de Deus - o Pai de to­dos!
- Qual a pessoa que, ao ler o Salmo 23, acha que ele foi escrito para os judeus? Aos que vivemos no Brasil, a im­pressão que temos é que ele foi escrito diretamente para nós. A mesma coisa dirão os irmãos dos demais países.
- A mensagem da Bíblia é a mesma em todas as línguas. Nisto vemos que ela é diferente de todos os demais livros do mundo. Se fosse produto humano, não se ajustaria às línguas de todas as nações. Nenhum outro livro pode igua­lar-se à Bíblia nessa parte. É mais uma prova da sua ori­gem divina.

IX. A SUPERIORIDADE DA BÍBLIA EM RELAÇÃO AOS DEMAIS LIVROS, QUANTO À COMPOSIÇÃO (9ª prova)

É muito interessante comparar nalguns pontos os ensi­nos da Bíblia com os de Zoroastro, Buda, Confúcio, Sócrates, Sólon, Marco Aurélio e muitos outros autores pagãos. Os ensinos da Bíblia superam os desses homens em todos os pontos imagináveis. Só dois pontos vamos destacar des­sa superioridade.
a. A Bíblia contém mais verdades que todos os demais livros juntos. Ajuntem, se possível, todos os melhores pen­samentos de toda a literatura antiga e moderna; retirem o imprestável; ponham toda a verdade escolhida num volu­me, e verão que este jamais substituirá a Bíblia! Entretan­to, a Bíblia não é um volume grande. Pode ser conduzida no bolso do paletó. Todavia, há mais verdades neste pe­queno livro do que em todos os outros que o homem produ­ziu em todos os séculos. - Como se pode explicar isso? - Há somente uma resposta racional e judiciosa: este livro não veio do homem: veio de Deus!
b. A Bíblia só contém verdade. Se há mentiras, não são dela; apenas nela foram registradas. Ao passo que os de­mais livros contêm verdade misturada com mentira ou er­ro. Reconhecemos que há jóias preciosas nos livros dos ho­mens, mas, é como disse certa vez Joseph Cook: "São jóias retiradas da lama!" Qualquer verdade encontrada em tra­balhos humanos, seja do ponto de vista moral ou espiri­tual, acha-se em essência no velho Livro. Comparemos al­guns dos melhores ensinos desses famosos homens, espe­cialmente dos decantados filósofos, com os da Bíblia. De fato, seus ensinos contêm jóias de real valor, mas, estas, quer saibam eles quer não, são jóias roubadas, e do Livro que eles ridicularizam!

Poderíamos incluir aqui também a superioridade da Bíblia quanto aos demais livros, no que tange à sua preser­vação em meio a tantos ataques, em todos os tempos.

X. A IMPARCIALIDADE DA BÍBLIA (10ª prova)

Se a Bíblia fosse um livro originado do homem, ela não poria a descoberto as faltas e falhas dele. Os homens ja­mais teriam produzido um livro como a Bíblia, que só dá toda a glória a Deus e mostra a fraqueza do homem (Jó 14; 17.1; 27; SI 50.21,22; 51.5; 1 Co 1.19-25). A Bíblia tanto diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), como também revela seus pecados, como vemos nos livros de Reis, Crônicas e Salmos. É também o caso da embriaguez de Noé, da dissimulação de Abraão, de Ló, da idolatria e luxúria de Salomão. Nada disto está escrito para nossa imitação, mas para nossa admoestação e para provar a imparcialidade da Bíblia. É ela o único livro as­sim.
Só a Bíblia ensina que o homem está em condições físi­cas, mentais e morais decadentes e que, se deixado só, de­cairá cada vez mais. Os livros humanos ensinam o oposto. Dizem que há no homem uma "Força residente" que cons­tantemente procura elevá-lo. Este ensinamento é agradá­vel ao homem, porque o homem adora crer que se está de­senvolvendo às suas custas, apesar dos milhares de sepul­turas que são acrescentadas diariamente aos cemitérios. O homem jamais escreveria um livro como a Bíblia, que põe em relevo as suas fraquezas e defeitos.

Conclusão sobre a origem da Bíblia

Deus é o único que pode ter sido o autor da Bíblia, por­que:
a) Homens ímpios jamais iriam produzir um livro que sempre os está condenando.
b) Homens justos e piedosos jamais cometeriam o cri­me de escreverem um livro e depois fazerem o mundo crer que esse livro é obra de Deus.
c) Os judeus - guardiães da Bíblia, jamais poderiam ser os autores dela, pois ela sempre condena suas transgres­sões, pondo seus defeitos a descoberto. Também se eles ti­vessem podido mexer nela, teriam apagado todos esses males, idolatrias e rebeliões contra Deus, nela registrados.
ATE A PROXIMA !!!!